Presidente do INSS não resiste à pressão do PFL e pede demissão
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segunda-feira, 11 de março de 2002
Agência Estado 
Brasília - O presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Fernando Fontana, entregará até amanhã o pedido de demissão ao presidente Fernando Henrique Cardoso. É mais um indicado pelo PFL que resistiu à entrega do cargo depois do rompimento do partido com o governo federal, mas sucumbiu à pressão exercida pelos dirigentes do partido. Outro que lutou muito para ficar foi Emílio Carazzai, ex-presidente da Caixa Econômica Federal. Carazzai foi posto na Caixa pelo vice-presidente Marco Maciel. Pediu demissão no domingo à noite.
Fontana é da cota do governador do Paraná, Jaime Lerner, que tentou impedir o PFL de romper com o governo de Fernando Henrique. Mas, na quinta-feira, dia em que o partido decidiu romper com o governo federal, Lerner chegou atrasado à reunião. Não conseguiu alcançar a tempo o encontro principal entre a cúpula do PFL e os governadores. Disse que estava vestido de bombeiro e que trabalharia pela governabilidade. Não convenceu os outros governadores a recuar. O jeito foi voltar mais cedo para o Paraná.
Na quinta-feira mesmo o deputado Roberto Brant, que é do PFL, entregou o cargo de ministro da Previdência Social. Ele exigiu que Fontana fizesse o mesmo, mas não foi obedecido. Restou a Brant dizer ao presidente do INSS que ele deveria sair, pois sua indicação fora política. Como havia muita resistência, o presidente nacional do PFL, senador licenciado Jorge Bornhausen (SC), declarou que, por uma questão de caráter, todos aqueles que foram indicados pelo seu partido teriam de deixar o cargo. Abriu exceção para o secretário da Receita, Everardo Maciel, escolhido pelo próprio presidente Fernando Henrique.
Diante da pressão, Fontana foi obrigado a deixar o cargo. Hoje à noite deverá encaminhar o seu pedido de demissão ao próprio presidente Fernando Henrique. Uma cópia será entregue ao ministro interino da Previdência, José Cechin. Cargos como o de Fontana, que são a chamada nata do segundo escalão, serão utilizados pelo presidente Fernando Henrique para a recomposição de sua base aliada.


