Investimentos
Observadores locais classificam a viagem de Fernando Henrique à África como missão econômica

LUANDA - O presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso chegou ontem às 17h55 (14h55 no Brasil) a Luanda, na sua primeira visita à África para se encontrar com o presidente angolano, Eduardo dos Santos. ‘‘Nos interessa Angola. Queremos que o processo de paz funcione para que juntos possamos caminhar para o progresso’’, declarou FHC à imprensa. O reforço dos investimentos brasileiros chega num momento em que a paz parece voltar a Angola.
Hoje FHC vai poder constatar o grau de destruição que atingiu o país depois de 20 anos de guerra civil (1974-1994). Ele visitará Kuíto, capital da província de Bié, no centro-leste do país, a cerca de 600 km de Luanda. Nessa cidade estão 800 dos 1.130 militares e policiais brasileiros que integram a Unavem 3 (Missão de Verificação das Nações Unidas em Angola), nome oficial da missão de paz da ONU (Organização das Nações Unidas) na ex-colônia portuguesa.
FHC foi recebido ontem no aeroporto internacional de Luanda pelo chanceler angolano, Venâncio Moura, e fez questão de ressaltar que o Brasil espera que seja cumprido o acordo de paz firmado em 94 entre o MPLA (Movimento Popular para a Libertação Total de Angola) e a Unita (União Nacional para a Independência Total de Angola).
‘‘O Brasil apoiou o tempo todo o processo de democratização de Angola, como apóia o processo de paz’’, disse o presidente. Brasil, Portugal, Estados Unidos e Rússia, os quatro países mais diretamente envolvidos na crise angolana, vêm pressionando os dirigentes do MPLA e da Unita para que cumpram o acordo de paz, do jeito que foi firmado em Lusaka, capital da Zâmbia.
FHC chegou acompanhado da primeira-dama, Ruth Cardoso, e dos ministros da Justiça, Nelson Jobim; das Minas e Energia, Raimundo Brito; do Exército, Zenildo de Lucena; do Estado-Maior das Forças Armadas, Benedito Leonel; das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia; e do presidente da Petrobrás, Joel Renó.
Missão econômica A visita de Fernando Henrique foi classificada pelos observadores como missão econômica, mas o embaixador do Brasil em Angola, Alexandre Addor, afirmou que se tratava de um ‘‘compromisso político com os irmãos angolanos’’.
O Brasil tem projetos importantes na área petrolífera e de diamantes em Angola. Dois grandes investimentos brasileiros - uma mina de diamantes em Luzamba (a nordeste) e a construção de uma hidrelétrica em Kapanda (ao norte) - foram interrompidos pela guerra civil.
Em Luzamba, a empresa diamantária Odebrecht, cujo presidente compõe a comitiva oficial, prevê uma produção de 6,25 milhões de quilates em um período de sete anos. O projeto deverá envolver 7.300 pessoas e criar 1.750 empregos.
As transações entre os dois países no período de janeiro a setembro de 96 subiu para US$ 130 milhões, após uma queda de US$ 60 milhões do volume de intercâmbios comerciais no período 1992/95 em relação a 80/91, em que o total da balança comercial foi de US$ 250 milhões, segundo fontes oficiais em Luanda.
Investimentos O semanário angolano Correio da Semana estima hoje que ‘‘vários investidores brasileiros resistem em fazer negócios com Angola por falta de informação sobre o atual potencial econômico do país’’. ‘‘A visita de Fernando Henrique sensibilizará, mobilizará e dará ânimos aos empresários brasileiros em relação a nosso país’’, concluiu a publicação.
Durante a visita do presidente brasileiro, delegações ministeriais dos dois países manterão encontros para assinatura de um protocolo de intenções sobre a cooperação econômica, científica e tecnológica. Está prevista também a ratificação de um acordo para a anulação de vistos diplomáticos entre os dois países.
O Brasil fechou acordo sobre a doação de US$ 200 mil ao programa de recuperação econômica angolana, com o intermédio do Fundo Fiduciário do PNUD (programa das Nações Unidas para o desenvolvimmento).

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