Preservar o mais possível os empregos
Preservar empregos o mais possível é medida heróica e patriótica, e esta é uma cota que precisa ser dada por empresas e instituições. A demissão de 44 mil trabalhadores no Paraná, no último trimestre, causa apreensão e acelera a intensificação da onda nefasta provocada pela crise financeira. Certamente que muitos também se aproveitam desse pretexto para demitir sem razão, porque cortar pessoal é uma vontade predominante de quem emprega.
O momento reclama cautela e sensibilidade, e prevenir-se contra a corrente alarmista não pressupõe tanger o trabalhador. Porque ele tem família, e a ausência de renda gerará o caos para ele e todos os seus dependentes. Todas as empresas possuem os seus pontos falhos, por onde economias se desviam, e esses vícios vão sendo mantidos em tempo de mais folga financeira mas em hora como a presente é preciso corrigi-los, de forma a manter suporte para conter demissões.
Há setores que foram beneficiados por incentivo governamental, por isso cláusulas contratuais dessas concessões deveriam existir para salvaguardar o emprego, ressalvados os casos de extrema impossibilidade. Mas a situação não chegou a esse ponto e nem se sabe se chegará. Mesmo assim tem havido suspensão de contratos de trabalho. Moderação, esta é a medida mais recomendável em ocasião de travessia perigosa, porque não se eliminará uma crise global criando crises setoriais representadas pelo lançamento de trabalhadores na amargura. Porque sem renda ele e os familiares entram em pânico. Grandes empresas nos Estados Unidos por exemplo estão se desfazendo de ativos para sustentar seus negócios e, de preferência, não despedir gente, e executivos consentiram em diminuir seus ganhos. Medidas de sacrifício precisam ser tomadas e não punir o elo mais fraco da corrente, que é o empregado. Porque ele não é uma máquina mas ser humano. E uma empresa, se tem função de lucro, tem também compromisso social.
O empresariado tem recorrido a algumas alternativas salvadoras, como férias coletivas e diminuição de jornadas de trabalho e de salários, e se não houver oportunismo e abuso nessas medidas elas devem ser tomadas, se a meta é manter o emprego. A porção de sacrifício tem que ser de todos, e também os sindicatos precisam não endurecer mas atuar como intermediários conscientes. Se houver honestidade de propósitos, evitando-se ações extremadas e eventualmente punidoras ao trabalhador, se restabelecerá a normalidade financeira. Em situações difíceis não só boa estratégia é necessária, mas também solidariedade.





