A diminuição no número de escolas rurais no Brasil é uma realidade, consequência da queda da população rural - fenômeno que ocorre em todas as regiões. No ano passado, o Ministério da Agricultura divulgou informações do censo Agropecuário 2017 dando conta de que a população rural está envelhecendo e os mais jovens vêm mantendo a tendência de migrar para os centros urbanos. Se em 2017 as pessoas com mais de 65 anos representavam 21,4% dos moradores de áreas rurais, em 2006 o índice era 17,52%. E os mais jovens, com idade entre 25 e 35 anos, eram 9,48% do contingente em 2017, conforme a pesquisa. Outra situação que contribuiu para a diminuição do número de escolas rurais foi a opção das prefeituras em ofertar transporte para trazer os alunos que moram na área rural estudarem nas cidades.

O papel das escolas rurais no Paraná, Estado com vocação agrícola por excelência, foi de extrema importância. Apesar das dificuldades (distância, precariedade das estradas e de infraestrutura), elas contribuíram para a valorização do meio agrícola e para atividades que hoje são prestigiadas, como a divulgação de práticas agrícolas sustentáveis. Lembrando que algumas escolas ainda resistem no campo e quando oferecem qualidade em seus projetos pedagógicos e buscam a valorização do professor acabam incentivando o jovem a permanecer no campo.

Por isso é importante festejar o trabalho de prefeituras, como a de Cambé, de resgate das histórias das escolas rurais do município, localizado na Região Metropolitana de Londrina. O projeto, mostrado pela FOLHA nesta quinta (21), começou em 2017, com a pesquisa e coleta de documentos oficiais e fotografias que tratavam da abertura, funcionamento e fechamento desses estabelecimentos. Gravação de entrevistas de personagens que trabalharam e frequentaram as escolas também vai ajudar no trabalho. De 50 unidades, restaram apenas duas. A memória é um meio de preservação da história e uma forma de entender a construção da identidade de uma comunidade.

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