Por trás do futebol brasileiro sempre estiveram homens de expressão social, como empresários e políticos de renome. E tal não ocorre necessariamente por espírito esportivo ou por amor ao time a que pertencem, mas porque esse gênero de esporte envolve milhões e é um negócio lucrativo, embora as notícias de que os clubes estão sempre endividados.
Se o jogo é bruto dentro do campo, pela natural característica da disputa, impera um poderoso esquema de retaguarda que por vezes envolve a arbitragem, tira a beleza do espetáculo esportivo e muda os rumos de uma competição, que por todas as formas deveria ser sadia.
Agora, num dos jogos decisivos entre um time grande e poderoso e outro de menor expressão mas que se revela um fenômeno em campo – ocorrências sazonais que costumam irromper repentinamente nesta pátria do futebol – a participação negligente ou delituosa do árbitro muda o placar e põe em evidência áoutro influente ‘‘jogador’’: ninguém menos que o ex-senador Luiz Estevão, cassado por denúncia de corrupção e dono do time que agora se julga prejudicado.
Esse homem se apresenta ainda poderoso, pois adentra a sede da CBF e se impõe perante os dirigentes, como acaba de fazer. Não há dúvida de que a suspensão temporária do árbitro, que acaba de ocorrer, e a possibilidade de ele também ser excluído da lista da Copa do Mundo, aconteçam pela pressão desse indivíduo, cujo poder e arrogância não cessam mesmo depois das denúncias que o envolvem no caso do superfaturamento das obras do Fórum Trabalhista de São Paulo, que levou o juiz Nicolau dos Santos à prisão mas sem a devolução do valor subtraído, que chega ao volumoso montante de R$ 169 milhões.
Não é a ação da arbitragem que se discute e sim a influência que certas figuras, marcadas por denúncias de assalto aos cofres públicos, continuam mantendo neste país de impunidades, e o poder de mando que ainda exercem. ‘‘O Simon tinha que estar na cadeia’’, esbraveja o ex-senador, referindo-se ao árbitro. Uma ironia que, depois de tudo, os brasileiros ainda têm de engolir!

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