Presença militar na Amazônia
Os brasileiros patriotas acolheram com entusiasmo a notícia de que contingentes do Exército estão se instalando dentro de oito reservas indígenas, nas regiões fronteiriças da extensa Amazônia.
Na verdade, existe risco potencial de reconhecimento pela Organização das Nações Unidas (ONU) de nações independentes em reservas indígenas, que ocupam vastas áreas de continuidade territorial, avançando até países vizinhos, como é o caso dos ianomâmis, que ultrapassam nossa divisa penetrando na Venezuela.
A recente visita aos Pelotões de Fronteira pelo Ministro da Defesa, Geraldo Quintão, assinala a assimilação pelo governo do presidente Fernando Henrique Cardoso da importância estratégica de ampliar a presença militar nas zonas desabitadas e desguarnecidas.
Aliás, será conveniente que também a Marinha e a Aeronáutica expandam suas ações na Amazônia, utilizando equipamento bélico compatível ao terreno, para treinamento de combate nas selvas, com intuito único de defesa, a fim de dissuadir qualquer tentativa de invasão de nosso território.
A realidade concreta da Amazônia concentrar imensos lençóis de petróleo e fantásticas riquezas minerais desperta a volúpia dos países ricos, com alguns de seus líderes defendendo a perda ou limitação da soberania brasileira na região, a pretexto de preservar a floresta amazônica. Há também propostas de entregar matas tropicais para pagamento da dívida externa.
As vozes que se ergueram nesse sentido abrangem desde o então chefe comunista da ex-URSS, Mikhail Gorbachev, até o líder socialista da França, François Mitterrand, a conservadora inglesa Margaret Thatcher e dirigentes norte-americanos como Al Gore, Bill Clinton e George Bush.
Não há perigo iminente, porém ecoa orquestrada campanha para convencer a opinião pública, principalmente nos Estados Unidos e Inglaterra, de que a Amazônia pertence ao mundo e não ao Brasil.
Em contrapartida à lavagem cerebral feita no exterior pró- internacionalização, impõe-se que nós brasileiros alastremos por todo o País um Movimento de Defesa da Amazônia, para conscientizar o povo de que o
mapa do Brasil desenhado pelos portugueses e ampliado por nós, é definitivo e imutável.
Chegou a hora do Ministério da Educação restabelecer em todas as escolas de ensino fundamental e médio o culto aos símbolos do País, incluindo o canto diário do Hino Nacional. Seria benfazejo que a cerimônia de Juramento à Bandeira dos reservistas de 3ª categoria fosse precedida de aulas de educação cívica por um mês, aos sábados, para que sejam exaltados o significado de Pátria, as virtudes da nossa gente, o amor ao idioma e tradições, e todos assumam o compromisso de lutar pela integridade nacional.
Nesse contexto, compete ao governo federal rastrear, vigiar e investigar as atividades das centenas de organizações não- governamentais (ONGs), sediadas nos Estados que integram a Amazônia, a maioria delas bem-intencionadas e com finalidades altruístas, mas provavelmente algumas foram abertas para patrocinar grupos econômicos e quem sabe até a serviço de governos estrangeiros.
Já é momento da Amazônia constituir-se em uma das prioridades da atuação do governo federal. Cabe ao presidente da República conduzir, ele próprio, o processo de crescimento e de reforço militar da região e ao mesmo tempo salvaguardar o meio ambiente, os eco-sistemas e a biodiversidade. A verba orçamentária para o projeto Calha Norte em 2001 de ridículos R$ 15,8 milhões é um acinte.
Os estudos de aproveitamento racional das florestas, com o seu manejo adequado, precisam ser intensificados, de modo a demonstrar que temos competência para explorar e, simultaneamente, renovar e conservar florestas.
Contamos com o maior sistema fluvial do Universo e não é concebível que queiram impedir o Brasil de utilizar economicamente suas hidrovias - o mais barato dos transportes - com a invocação de comprometimento do meio ambiente.
A criação dos Territórios Federais Alto Solimões, Alto Rio Negro e Juruá é providência inadiável, considerando o imperativo da ocupação humana, desenvolvimento e vigilância nas Faixas de Fronteira, que assim ficariam mais exequíveis.
Os povos indígenas merecem tratamento digno e o respeito à sua cultura e costumes. Mas é evidente o exagero no tamanho das áreas demarcadas para as reservas, que já abrangem 43% do Estado de Roraima, 17,25% de Rondônia e expressivos percentuais no Acre, Amazonas, Amapá, Pará e Tocantins. Os nove milhões de hectares da reserva ianomâmi muita terra para poucos índios representou ato de flagrante irresponsabilidade.
O Brasil está no limiar da arrancada para o progresso, desde que não seja tragado pela avalanche da globalização, que minimiza o conceito de Pátria e ameaça universalizar um só idioma, criar legislação transcendendo fronteiras, ignorar Estados soberanos e contemplar multinacionais com direitos extraterritoriais.
A realidade contemporânea registra célere globalização das comunicações, das operações instantâneas do mercado de capital, da integração dos sistemas produtivos e das atividades econômicas em geral, todavia a globalização política de natureza imperialista, alardeada e desejada pelas nações hegemônicas, jamais será implantada, porque os sentimentos de língua, tradição, religião, Pátria e liberdade são muito fortes, e a resistência das nacionalidades não admite rendição e elas permanecerão vivas e vitoriosas para sempre.
- LÉO DE ALMEIDA NEVES é suplente de senador pelo Paraná, ex-deputado federal e ex-diretor do Banco do Brasil





