Presença das elites, para ajudar
Se escasseiam no âmbito do Governo idéias salvadoras que superem a situação de angústia nacional por causa dos escândalos de corrupção, os empresários se mobilizam e vão ao presidente Lula apresentar-lhe uma 'agenda mínima' consubstanciada em 18 propostas para que a economia se desvie da crise. É uma ação que se manifesta em momento oportuno, e agora vai depender da competência e da disposição governamentais que as medidas sugeridas sejam levadas adiante. O documento entregue ao chefe do Governo, à sua equipe econômica e ao presidente do Congresso tem origem na Confederação Nacional da Indústria e reúne projetos já em andamento nas Casas legislativas e no Executivo. Trata-se de cinco temas econômicos infra-estrutura, sistema tributário, ambiente regulatório, reforma do Estado e inovação tecnológica e um que trata da reforma política. Tudo isso subdividido em questões como parcerias público-privadas, saneamento básico, execução orçamentária na área dos transportes, reforma tributária, prazos de recolhimento de tributos, aperfeiçoamento do sistema eleitoral, reforma administrativa, redução de gastos públicos, transgênicos, microempresas e reformas contábil e fiscal. O documento é abrangente, e se visa o interesse da classe empresarial, tem também o sentido de salvação nacional. Se o Governo e o Congresso não aproveitarem esta oportunidade afinal são as elites ajudando e não desestabilizando então não estão mesmo interessados em solucionar crise alguma. Porque, ao invés de se ater somente a uma eventual posição de crítica, o empresariado comparece com propostas de solução. E não tardiamente, mas em momento de depressão dos cidadãos e de abalo na estrutura das instituições. Se o processo de investigação dos escândalos deve continuar, a atenção do Congresso e do Governo não pode focar-se apenas no espetáculo diário das sessões das CPIs e das comissões de ética, mas voltar-se para os deveres de salvaguardar a pauta de discussão das questões relevantes em tramitação e as que agora são apresentadas por essas lideranças empresariais. ''O Governo tem de seguir governando e fazendo o que tem de fazer'', proclama o presidente da Confederação, Armando Monteiro, cuja classe que representa deseja evitar que a crise política do Governo Lula cause uma deterioração na economia, o que seria desastroso para a própria sustentabilidade do regime e para a segurança nacional, já tão abaladas pelo próprio fenômeno da descrença popular na administração pública, pela situação de desemprego e pela violência. O Governo não pode perder de vista este aceno do empresariado, que se manifesta como um braço de forte apoio ao presidente Lula e um indicativo de que há caminhos de solução e uma decidida vontade do Brasil-cidadãos de, ao apresentar esta 'agenda mínima', também exercer governo e cidadania.





