Prepare-se para o idoso do século XXI - Arnaldo César Serighelli
Prepare-se para
o idoso do
século XXI
Arnaldo César Serighelli
O crescimento da população idosa e da expectativa de vida verificados em recente levantamento no Paraná, não é um fato isolado e exclusivo de nosso Estado, mas um fenômeno mundial, que ganha ênfase maior por parte dos governos europeus, através de programas voltados aos seus idosos.
Em toda a discussão sobre a população idosa no País, vem à mente em primeira instância os cuidados com a saúde e com a previdência dos brasileiros de todos os cantos. Atualmente, a expectativa de vida de uma pessoa no Brasil é proporcional ao acesso que a mesma tem a uma rede eficiente de serviços médicos, situação que o País precisa ainda equacionar em virtude das deficiências do nosso sistema público de saúde.
Devido a essas dificuldades intrínsecas, o aumento da expectativa de vida das pessoas vem sendo lenta, porque se vive na mesma velocidade do desenvolvimento da ciência. Quanto maior for o progresso científico, mais tempo as pessoas vivem. Exemplo disso é que, no começo deste século, as pessoas morriam aos 35 anos e, no próximo século, vão passar dos 100!
Outra preocupação que a sociedade deve ter permanentemente com relação ao idoso diz respeito às condições para que ele sobreviva tranquilamente por 30 anos, período que ele tem vivido após obter a sua aposentadoria. É preciso repensar o seu planejamento de vida e, principalmente, quais as atividades a ser desenvolvidas após a aposentadoria. Antes, a pessoa trabalhava, aposentava-se e morria, ao contrário de hoje, em que é preciso encarar o mundo de forma diferente.
Aqui no Brasil, uma pessoa com faixa etária na casa dos 40 anos é considerada uma força de trabalho esgotada, colocada à margem do sistema de trabalho. Nos países desenvolvidos, ao contrário, os profissionais com a mesma idade estão no auge da inteligência e da experiência, são tão ou mais valorizados do que executivos mais jovens.
Devido a isso, reavaliar as condições da força de trabalho pela própria sociedade e pelos empresários é um fato a ser ponderado daqui em diante no Brasil.
Da mesma maneira que os empresários vão ter que se readaptar a esse cenário que se desenha, os fundos de pensão terão que reformular suas tábuas atuariais, utilizadas com o objetivo de medir a expectativa de vida e, consequentemente, também terão de rever o valor das contribuições definidas para garantir a aposentadoria do participante.
Atualmente, seguimos os modelos europeus e americanos, que são, efetivamente, muito diferentes de nossa realidade e do nosso padrão de vida no Brasil e, o que é pior, são tábuas atuariais de 1949, estatísticas muito defasadas. Por isso, é imperativo desenvolver uma tábua atuarial brasileira e mesmo levantamentos diferentes de região para região, já que as condições de vida das regiões Sul e Sudeste são opostas em relação às mesmas condições das populações das regiões Norte e Nordeste e, como consequência, a expectativa de vida também.
A partir disso, poderemos então seguir uma tábua atuarial fiel, que retrate a atual crescente expectativa de vida de nossa população, seja curitibana ou paranaense, dando condições para que esses futuros idosos possam usufruir de uma vida após a aposentadoria.
- ARNALDO CÉSAR SERIGHELLI é diretor de instituição de fundos previdenciários e assistenciais em Curitiba





