Preparado para o desafio.
Convidado pela Folha de Londrina para opinar sobre o segundo turno das eleições presidenciais, destacando meu voto no candidato José Serra, o faço com muita convicção. Primeiro por dirigir-me aos paranaenses que sempre se mostraram preparados politicamente para discernir entre emoção e a razão na escolha de seus representantes. Depois por entender que a decisão de eleger o Presidente da República do país líder da América Latina é muito importante e acarreta modificações profundas em nossas vidas.
Podemos rapidamente analisar o comportamento das duas candidaturas e encontrarmos as coincidências e divergências. Quando lutávamos pela derrubada da ditadura militar e o restabelecimento das liberdades políticas em nosso Brasil deparávamos com um quadro desalentador: perseguições, exílios e desaparecimento de líderes partidários, sindicais e populares. Pessoas como José Serra e José Dirceu, ex-presidentes da querida União Nacional dos Estudantes, viviam exilados no Chile ou na clandestinidade em Cruzeiro do Oeste (PR).
Eram tempos difíceis, mas nenhum de nós esmoreceu e conquistamos nossa liberdade. De forma pacífica reencontramos nosso caminho. Foi necessário e pedagógico a união em torno da campanha das Diretas Já e pela Constituinte.
Três eleições diretas para presidente antecedem a esta. Uma com a escolha emocional do caçador de marajás e o resultado foi o impeachment por corrupção de um Presidente da República, derrotado novamente nas eleições alagoanas. Duas vitórias do PSDB contribuíram para consolidar a democracia plena, apresentando um modelo político de tolerância e realizador no campo econômico com a estabilidade há tanto desejada.
Em clima de total liberdade, vamos escolher entre duas correntes políticas: a encarnada pelo novo PT da velha esquerda que associou-se às velhas oligarquias do novo oportunismo eleitoral e a coligação entre dois partidos que herdaram o rol de lutas contra a ditadura - o PMDB e PSDB.
Aqui reside a diferença: José Serra é fruto da luta democrática e está preparado pelo embate de idéias e posições. É o mais qualificado entre os dois para compreender a tarefa complexa e árdua de administrar o país-continente chamado Brasil.
Falo como quem já votou em Lula na disputa do segundo turno em 1989, quando enfrentamos a onda do ''agora é mudança collorida''. Não sabíamos ao certo o que pensava o novo comandante do Planalto e até hoje pagamos pelos desacertos promovidos por ''elle'' no comando da economia e da política. Lembro meu recente relatório que possibilitou o pagamento dos expurgos no FGTS dos trabalhadores durante aquele governo: uma engenharia financeira que resultou em R$ 42 bilhões para 38,8 milhões de trabalhadores - doze anos depois dos mirabolantes planos econômicos.
Entre a primeira eleição direta pós-ditadura e a quarta muitas mudanças ocorreram. Nosso país cresceu e ampliou sua força externa no campo político-econômico.
A complexidade é que fará a diferença nos estilos: pois se um sabe posicionar-se como mandatário de Nação emergente o outro necessita da aprovação das alas radicais e dos agregados para continuar ou não negociando com os organismos internacionais de crédito e de cooperação. É o emblema do capitalismo internacional que o partido socialista ainda persegue e difunde como modo de sobrevivência ideológica.
Poderíamos evidenciar mais as diferenças com os debates entre os dois concorrentes mas ficaremos no único, como hoje deseja o PT e seus neo-aliados. Serra é o líder de uma geração talhada na luta contra o arbítrio com excelentes feitos nos cargos ocupados. Os exerce com equilíbrio, segurança e competência.
O programa de governo de Serra contempla as bases do governo moderno, desenvolvimentista e de justiça social. Sabe encontrar as fontes de financiamento e entende o governar em ampla base de apoio, na diversidade política. Identifica os problemas sociais e pretende enfrentá-los com ações que já deram resultados, ampliando programas, inovando e dando liberdade para gerir novos projetos. Deixa de lado o diagnóstico para exercer a vontade política de resolvê-los.
Voto e recomendo José Serra para Presidente do Brasil, pois não é preciso arrepender-se já no mês seguinte.
LUIZ CARLOS HAULY, deputado federal eleito





