A previsão de um El Niño de forte intensidade coloca o Paraná diante de um desafio que vai além das questões meteorológicas. O fenômeno deve trazer excesso de chuvas para a região Sul justamente em um período decisivo para o calendário agrícola. Em um Estado cuja economia tem no agronegócio um de seus principais pilares, ignorar os riscos climáticos significa colocar em xeque produção, renda, empregos e arrecadação. Quando o campo sofre, todos os outros setores sofrem os impactos.

O problema é ainda mais grave para os pequenos produtores rurais, responsáveis pela maior parte dos estabelecimentos agrícolas paranaenses. Eles dispõem de menos capital para investir em infraestrutura, irrigação, manejo do solo, armazenagem e seguros. Também enfrentam maiores dificuldades de acesso ao crédito em um momento marcado pelo aumento dos custos de produção e pelo crescimento do endividamento. Para muitas famílias, uma safra perdida não representa apenas redução do lucro, mas ameaça à própria continuidade da atividade.

Os efeitos do clima extremo não podem ser evitados, mas seus impactos podem ser reduzidos. Conforme especialistas apontam em reportagem nesta edição da FOLHA, planejamento, conservação do solo, assistência técnica, monitoramento climático e contratação de seguros rurais são ferramentas indispensáveis para diminuir prejuízos. No entanto, elas só produzem resultados quando acompanhadas de políticas públicas consistentes, com crédito acessível, programas de gestão de risco fortalecidos e ampliação da cobertura dos mecanismos de proteção ao produtor.

O Paraná construiu sua força econômica sobre a capacidade de produzir alimentos com eficiência e competitividade. Preservar essa vocação exige compreender que investir na resiliência do campo não é um gasto, mas uma necessidade estratégica. Fortalecer o pequeno produtor é fortalecer toda a cadeia do agronegócio, que movimenta cooperativas, agroindústrias, transportadoras, comércio e serviços. Em um cenário de eventos climáticos cada vez mais frequentes, preparar o campo é, acima de tudo, preparar o futuro da economia paranaense.

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