O ministro da Agricultura e Pecuária, Reinhold Stephanes, demonstra estar preocupado com a sanidade dos bovinos e aves e com a consequência nefasta para o comércio externo de carnes, se houver descuidos. Está em sua preocupação também o perigo para a saúde humana com a gripe aviária, que pode chegar ao Brasil. Falando no Agrishow de Ribeirão Preto, ele afirmou que em setembro irá pedir à Organização Mundial da Saúde Animal a liberação de áreas brasileiras ainda não consideradas livres da febre aftosa com vacinação. Certamente referia-se a Mato Grosso do Sul e ao Paraná.
A segunda etapa, depois dessa diligência, conforme garantiu, será dar prioridade à vacinação e a policiar as fronteiras, desde Rondônia até o Paraná. Stephanes assegurou que para isso não irão faltar recursos. ''Os embargos de países compradores à carne brasileira às vezes são uma desculpa, então temos que acabar com essa desculpa'', enfatizou. Técnicos do Ministério estão também se dedicando à prevenção contra a febre aviária, com palestras de orientação à população rural sobre os sintomas nas aves que indiquem a doença. A preocupação, que deve ser também dos sanitaristas e portanto do Ministério da Saúde, é que a gripe aviária é transmissível aos humanos, e não há tratamento conhecido e nem vacina contra ela.
Pessoas e aves estão sujeitas a esse mal, e os riscos não são apenas de perdas financeiras mas também de um alastramento da peste sobre a população. No caso do comércio, o Brasil seria também um grande perdedor, porque é um dos maiores produtores de aves e exportador dessa carne. Setenta por cento do volume exportado é do Rio Grande do Sul, e é nesse Estado onde os técnicos do Ministério da Agricultura estão agora operando, em campanha de esclarecimento. Ao menos parece não haver negligência do Ministério da Agricultura e Pecuária, tanto com a aftosa bovina quanto à gripe aviária. O ministro Reinhold Stephanes sabe dos riscos, porque não é estranho às questões do campo e conhece igualmente bem, como ex-titular da Previdência, a extensão do problema da saúde pública no Brasil, que não pode ser agravada pela eventual presença da insidiosa doença das aves atingindo também a população. Uma autoridade vigilante, embora à testa de um ministério de recursos financeiros limitados, pode fazer muito se houver conscientização e boa vontade, e estes são atributos que não faltam ao ministro paranaense. Sua extensa trajetória pela vida pública confere-lhe boas credenciais.

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