Bhaskara Rao


Para falar da conservação de água, energia e vida, não há data, nem hora. Mas para falar de um prêmio de reconhecimento para qualquer um destes aspectos vitais para o homem, existe o momento certo, senão a oportunidade se perde no tempo.

A Suécia recebe seletas personalidades mundiais todos os anos para entregar o Prêmio Nobel em cinco modalidades. O Nobel da Paz é conferido em Oslo (Noruega). Entidades, cientistas, médicos, escritores, estadistas e outros já foram agraciados com estes prêmios.

O Rei Gustavo XVI da Suécia, há dez anos, vem acrescentando em sua agenda a entrega do Prêmio Estocolmo d'Água, patrocinado por algumas empresas, como um Nobel da Vida. É o mais cobiçado prêmio no setor de água por todos que pesquisam, desenvolvem tecnologias, legislam e gerenciam este bem mineral o ouro azul de todos os tempos.

O prêmio é concedido após meticulosa análise por uma comissão que recebe indicações de pessoas e organizações especialmente convidadas do mundo inteiro. Uma entidade, um ministro de Estado, cientistas, professores e profissionais dedicados ao problema mundial da água já foram premiados representando países como Austrália, África do Sul, Canadá, Estados Unidos, Índia e Japão.

Ar, água e alimento são básicos para a existência da vida. Entre alimento e água, sem dúvida há imenso destaque para a água sem a qual, terra fértil torna-se deserto, vidas são perdidas e cidades viram fantasmas. A história das civilizações demonstra isso e não se pode subestimar a fúria da natureza nas regiões com climas adversos, como as áridas; verificam-se consequências catastróficas quando elas não recebem a atenção adequada e imediata dos governantes.

O Brasil, com sua vastidão territorial e riqueza abundante em água, deve saber dar soluções para os problemas regionais, não somente diversas vezes debatendo-os, mas dando respostas concretas e implementando-as. Os problemas técnicos, científicos e tecnológicos que são de grande importância, às vezes parecem ser atendidos. Os de gerenciamento, cujos aspectos e dimensionamento são constantemente variáveis dependendo do momento e contexto, precisam ser atualizados e melhorados.

O lado político se mostra delicado e precário. Legislar sobre um bem, indispensável para a imediata sobrevivência humana num país continental com tantas variáveis, é muito complexo. O aspecto de funcionalidade regional é extremamente penoso, apesar da busca do governo para uma integração regional.

Um exemplo, no Brasil, é o caso da transposição das águas do Rio São Francisco para Estados do Nordeste onde há falta d'água até para beber! Este rio atravessa cinco Estados que, por incrível que pareça, reclamam de problemas de seca e pesca. Os políticos debatem há dezenas de anos, e os técnicos atualizam os dados dezenas de vezes, mas... o povo migra e o gado morre por falta d'água. Um cenário inimaginável de existir num país que é a oitava economia do mundo!

Nem por isso os parlamentares, cumprindo os seus deveres, deixaram de legislar e formular as respostas possíveis para enfrentar tais problemas. A criação de Agência Nacional de Águas, talvez decorrente de insistentes discursos no Senado, pode ser uma esperança, cuja realização somente o tempo confirmará.

Porém, merece ser lembrado que as leis ou regras são feitas não para serem comandos, para ditar ou impor, mas para serem guias mostrando caminhos certos para soluções adequadas. É um bom direcionamento para ordenar todas as sociedades que almejam melhoria na vida cotidiana.

Neste contexto e neste domínio de legislar, penso eu, que o Brasil não pode ficar alienado e deve ter seu representante indicado para o Prêmio Água. E este é o momento que não pode e nem deve ser adiado.



- BHASKARA RAO ADUSUMILLI é professor universitário aposentado em Brasília, pesquisador, e membro estrangeiro da Academia Brasileira de Ciências
[email protected]

mockup