A chuva é essencial para a agricultura, mas o grande volume de água que caiu nos últimos dias em Londrina e quase todo o Paraná está deixando um rastro de prejuízo no campo, ameaçando a produção, o abastecimento e a economia.

Na zona rural londrinense, os cerca de 900 quilômetros de estradas de terra enfrentam pontos de alagamento e deterioração. Em algumas localidades, a circulação está limitada ou impedida. O problema não é apenas de mobilidade: estradas rurais em más condições comprometem o acesso de estudantes às escolas, dificultam a chegada de serviços públicos e, sobretudo, podem impedir o escoamento da produção.

No campo, as hortaliças não estão resistindo ao excesso de umidade, perdem qualidade e podem apodrecer antes mesmo de chegar ao consumidor. Culturas de inverno, como trigo e cevada, também sofrem com a demora na colheita e com a maior incidência de doenças. O milho segunda safra, por sua vez, registra perdas de qualidade em razão da elevada umidade dos grãos.

Na segunda-feira (14), a Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento, responsável pela conservação das estradas rurais, ainda reunia informações sobre os prejuízos causados pela chuvarada. Mas uma avaliação preliminar apontava estragos em cerca de dez localidades, entre elas, os assentamentos Eli Vive 1 e 2, em Lerroville, o distrito de São Luís e o entorno da Estrada dos Periquitos, na região do Limoeiro (zona leste).

Segundo o secretário municipal de Agricultura, Jamil Janene, a prioridade será realizar os reparos nos locais onde os danos impedem o acesso das crianças às escolas. O levantamento será feito em conjunto com outras pastas, como Meio Ambiente, Obras e Educação, além da CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização).

Sobre as perdas nas lavouras, é certo que o resultado será percebido pela população em breve, que deverá pagar mais caro pelos produtos em razão da queda na oferta.

Ainda é cedo para dimensionar financeiramente o estrago causado pelas chuvas em Londrina e no Norte do Paraná. Mas os sinais de alerta já estão dados. Quanto mais tempo persistir o excesso de água, maiores tendem a ser os prejuízos e mais complexa será a recuperação das áreas atingidas.

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