Prejuízos ao consumidor
Como era de se esperar o bloqueio das rodovias promovido por caminhoneiros autônomos atingiu em cheio o bolso do consumidor. Se na semana passada alguns postos de combustíveis chegaram a cobrar quase R$ 4 pelo litro da gasolina em Londrina, a alta dos preços atingiu também os alimentos. Pesquisa que acompanha a evolução do preço da cesta básica em Londrina aponta para um aumento de 9,68% neste mês. O levantamento é feito desde 2002 e, pela primeira vez, atingiu a marca de R$ 1 mil para uma família de quatro pessoas.
Outra "novidade" é que nessa consulta todos os preços pesquisados registraram aumento os maiores índices foram verificados nos custos do tomate (47,33%) e da batata (35,17%). No acumulado em 12 meses, a alta é de 20,21%. O momento é particularmente ruim para os consumidores, que já enfrentam um cenário de inflação ascendente e com a caristia "batendo à porta" a cada compra.
Todas as categorias profissionais têm o direito de lutar pelas reivindicações que consideram justas. No entanto, a população não pode ser penalizada a cada movimento. Os bloqueios têm deixado pequenas cidades desabastecidas, sem combustível, gás de cozinha e alimentos. Produtos têm se perdido no campo. Ainda que os bloqueios tenham enfraquecido, o abastecimento precisa ser normalizado urgentemente. Também é importante que as autoridades fiscalizem e impeçam o abuso dos preços.
Ontem a presidente Dilma Rousseff (PT) sancionou sem vetos a nova "Lei dos Caminhoneiros", um pedido dos grevistas. O texto deve ser publicado na edição de hoje do Diário Oficial da União. Entre os ganhos obtidos está a gratuidade do pedágio por eixo suspenso para caminhões vazios; perdão das multas por excesso de peso recebidas nos últimos dois anos e o aumento de horas extras permitidas por dia. Se parte das reivindicações será atendida, é importante também que o movimento grevista ceda em alguns pontos para evitar um prejuízo ainda maior à população.





