Ruy Fabiano
Prejuízo
político
É improvável que haja contrapartida ao preço político pago pela direção nacional do PT, intervindo na seção fluminense do partido e revogando a candidatura a governador de Vladimir Palmeira. O racha no partido aprofundou-se e o objetivo principal de todo o conflito - a preservação da aliança com o PDT para as eleições presidenciais - continua cada vez mais distante.
Brizola não tem demonstrado qualquer emoção com o empenho de Lula e José Dirceu em resgatar a aliança. Ao contrário, repete que não crê na adesão dos petistas fluminense à candidatura a governador do pedetista Garotinho, nem pensa em retirar a candidatura da senadora Emília Fernandes ao governo do Rio Grande do Sul.
De fato, não há sinais de que os adeptos de Vladimir Palmeira venham a apoiar o candidato do PDT. Com a intervenção do diretório nacional sobre o diretório estadual, a rejeição à aliança aprofundou-se.
Mas Brizola não facilita nem exibe a mais remota boa vontade em relação ao assunto. Quer agora que o PT desista de ter candidatos a governador em todos os estados e não apenas no Rio de Janeiro, conformando-se em manter apenas a candidatura presidencial de Lula.
Trata-se de proposta absolutamente inviável. Se num único estado, o do Rio, deu no que deu, imagine-se o que ocorreria se o partido tivesse que se abster em todos os outros estados em nome da aliança com o PDT. O racha seria inevitável, como de fato já o é no Rio.
Em resumo, a proposta de parceria entre Lula e Brizola simplesmente não está compensando o seu custo político. As projeções eleitorais já indicavam que essa é uma soma que não acrescenta nada às partes - a não ser no item rejeição. Brizola, ao constatar isso, passou a buscar uma saída honrosa para a situação que ele mesmo criou.
Coube-lhe, convém não esquecer, a iniciativa de propor a parceria ao PT, oferecendo-se para vice de Lula. Quando viu que tal junção não produziria o impacto eleitoral que vislumbrou, nem lhe garantiria a conquista do poder no Rio, decidiu cair fora.
A oportunidade surgiu com a rebeldia dos xiitas fluminenses, sob a liderança de Vladimir Palmeira. Brizola, desde que a resistência se configurou, decidiu bater de frente. Em nenhum momento buscou negociar ou compor, muito pelo contrário. Viu ali o pretexto que buscava para livrar-se do compromisso com Lula.
Sua meta agora é firmar sua própria candidatura presidencial e deixar as alianças para o segundo turno. Mais que nunca, está acreditando em si mesmo. Tem dito que sua candidatura é menos restritiva que a de Lula e possui condições de agregar apoios mais amplos, do centro para a esquerda.
Para o PT, o prejuízo - interno e externo - é grande e pode resultar no isolamento definitivo da candidatura de Lula.

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