Prejuízo com soja transgênica passa de R$ 200 milhões no RS
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segunda-feira, 15 de abril de 2002
Denise Angelo Equipe da Folha 
Curitiba - Um estudo feito pelo professor Deonísio Destro, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), junto com professores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), mostra que produtores de soja transgênica do Rio Grande do Sul tiveram prejuízos que podem ultrapassar os R$ 200 milhões nesta safra. As sementes vindas da Argentina não se adaptaram ao clima local. A seca que atingiu a região concluiu o quadro negativo, que afetou mais de um milhão de hectares destinados aos transgênicos naquele Estado.
Pelo levantamento feito por Destro, a produtividade média da soja transgênica ficou entre 17 e 20 sacas por hectare, enquanto que na cultura da soja convencional a produtividade varia entre 28 e 30 sacas. Os pesquisadores também perceberam que as plantações transgênicas apresentaram rachaduras no caule e falta de imunidade a pragas e ervas daninhas.
Destro explica que o problema aconteceu porque o gen transgênico inserido nas sementes produzidas na Argentina não está adaptado ao clima brasileiro. Tanto que os pés de soja atingiram no máximo 48 centímetros de altura, quando para dar uma boa produtividade precisam ter no mínimo 70 centímetros. Não significa que todos os tipos de soja transgênica apresentem produtividade menor que a convencional, explica o professor.
Os especialistas também constataram que as nove lavouras visitadas apresentaram problemas que podem ser considerados como desequilíbrio ambiental. Surgiram rachaduras no caule da soja transgênica exposta ao calor e as lavouras sofreram o ataque inusitado de insetos, como o burrinho, que até então só atacava a batatinha. Além disso, as lavouras também apresentaram falta de imunidade às pragas e ervas daninhas, obrigando os agricultores a usar duas ou três vezes mais o herbicida, pois as pragas ficaram mais resistentes.
Destro considera que os dados levantados são indícios fortes de que ainda existem muitos problemas que devem ser estudados antes que a plantação comercial da soja seja liberada no País.
O estudo feito por Destro foi encomendado pelo Movimento dos Pequenos Agricultores, Movimento Sem-Terra e pela organização Via Campesina. O relatório final foi encaminhado inclusive ao governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT).


