Pregando a ajuda mútua entre empresários
Um comerciante precisa ajudar o outro e não torcer para o negócio do vizinho dar errado. Isto vale para lojas de shoppings e de ruas. Conselho da especialista Maria Helena Magalhães, consultora em planejamento estratégico e otimização em recursos humanos da Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings. Atuando há 25 anos no setor, ela falou em Londrina para lojistas. É a primeira vez que se ouve abertamente uma tal recomendação partindo da área tradicional do ensino de estratégias de vendas. Porque isto tem sido pregado apenas nos ensinamentos sobre prosperidade de doutrinas religiosas orientais.
Naturalmente que só isto não basta, porque é sabido - e a consultora recomenda - que é preciso ''ser lojista'' e não ''estar lojista'', já que a atividade implica em comprometimento com um número incontável de pessoas que dependem do negócio. E mais, que o planejamento deve ser constante e não apenas do momento de abrir o negócio, sendo necessário envolver nesse mister toda a equipe da empresa. Algumas lojas estabelecem o regime de comissionamento coletivo, e isto é estimulador e incentiva a cooperação - ensina a mestra.
Esses enfoques, e tantos outros, são relevantes porque o histórico mostra que 50% das lojas que abrem as portas, no Brasil, encerram atividades com menos de três anos de existência. As razões, naturalmente, são múltiplas, incluindo a do pouco ganho da maioria dos cidadãos; a má vontade com a freguesia manifestada pelos atendentes, em muitos casos; o supertabelamento de preços, o que afujenta o comprador; ausência de planificação na maior parte das empresas, e por aí em diante. A facilitação em vender a prazo - embora isto não tenha sido citado pela especialista - embute juros extorsivos, e isto é uma forma de especulação financeira.
Mas um dos segredos do sucesso de empreendimentos empresariais reside mesmo na política destacada no início deste escrito: um empresário ajudar o outro, mesmo que ambos vendam mercadorias similares. Isto significa uma modificação de mentalidade, pelo abandono da competição predadora, e no bojo disto vêm outras coisas boas - garantem os que adotam essas práticas. E não apenas no comércio mas também na produção industrial e nos serviços. A menção escancarada à concorrência, de forma às vezes provocadora, não é vista com simpatia pelos fregueses - e este é detalhe ao qual as agências de propaganda devem ficar atentas. Nem cartelismo e nem antagonismo, mas um ponto de equilíbrio entre empresários de ramos afins e a troca de experiências, de forma a que todos ganhem. Este é um dos toques mágicos para o sucesso, segundo o conceito de empresários que passaram a adotar outra linha de comportamento.
O desejo mútuo de que todos prosperem cria uma corrente de positivismo, e os o fazem garantem que os bons resultados são surpreendentes. É alentador perceber-se que o academicismo clássico, defensor da competição a qualquer preço, vai dando lugar a ensinamentos mais sadios. Como este trazido pela experiente consultora. E assim se robustecem as corretas relações humanas.





