Têm razão os que afirmam que se um governante ou um parlamentar nada fez de importante num mandato, dificilmente o fará num mandato seguinte. A reeleição desses políticos é, portanto, uma jogada de risco. Se um governante foi bom, deverá receber o beneplácito do eleitorado, como forma de aprovação, mas os ardis conhecidos das campanhas eleitorais conseguem a façanha de reconduzir ao cargo homens públicos sabidamente desqualificados e despreparados, para não falar dos casos de envolvência de muitos deles com a corrupção. Também não significa que qualquer candidato estreante seja merecedor do voto apenas por isto, mas entre estes há os que demonstram qualidades para o exercício da função pública, pela forma como dominam os problemas e pelas propostas de solução, sem promessas desvairadas e impossíveis. Tem-se assistido, no horário político, a absurdos prometidos especialmente por candidatos a deputado, porque são tarefas que eles nunca irão executar, até porque não são de sua incumbência e de seu alcance. Não há dúvida de que a função de um parlamentar é batalhar pela criação de leis e pela extinção das inadequadas, porque a execução de obras será função do governo, embora um deputado possa batalhar por elas. Mas apenas isto, porque ele não as executa, e toda a promessa nesse sentido é enganadora. No âmbito do múnus da legislatura incumbe ao corpo parlamentar apresentar propostas de reforma de leis e normas, de modo a adequá-las às necessidades dos cidadãos e que sirvam à causa da melhoria dos serviços, da justiça social e do desenvolvimento. No caso dos deputados federais, é lamentável que os números da pesquisa apontem para a reeleição da maioria deles. Há que iniciar-se um processo de renovação e de aposentadoria de velhos políticos, alguns com desempenho razoável mas já gastos e carregados de vícios. Se as opções não são muitas, será preciso estimular a chegada dos novos e selecionar, dentre estes, os que trazem boa bagagem. Há bons candidatos novos se apresentando, e será preciso depositar-lhes um voto de confiança e o voto físico na urna. Porque é preciso sempre crer, ou nunca se removerá esse clima denso de desconfiança nos políticos. Não há outro caminho para a renovação senão o de experimentá-la, e esta é uma atitude que precisa ser tomada. É chegada a hora de uma varredura. Porque das velhas raposas políticas se conhece os costumes. E de quem exerceu apenas um único mandato mas nada fez, já deu para se saber a que veio. Não será numa segunda oportunidade que irão ficar melhores.

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