Após quase um mês de negociações, o prefeito Nedson Micheleti (PT), apresentou uma contraproposta para a reivindicação dos servidores de reajuste salarial de 14,86%, que foi aprovada pelos servidores ontem à noite. Conforme Nedson, os seis mil servidores ativos terão direito a um abono de R$ 112,00 – R$ 42,00 referentes à distribuição mensal da Remuneração Adcional Variável (RAV), que seria extinta, e R$ 70,00, que podem ser compensados em uma próxima negociação salarial.
Com essa proposta, a administração municipal pretende – além de extinguir a RAV – democratizar o benefício. Enquanto a grande maioria recebe R$ 70,00 referente a RAV, outros 355 têm o adicional de R$ 300,00 ao salário. Com a proposta do governo, todos os servidores terão direito a parcelas iguais do benefício e a prefeitura terá que desembolsar mensalmente o mesmo valor que destina à RAV, cerca de R$ 260 mil.
O Executivo ainda propõe o pagamento das progressões horizontal e vertical este ano, suspendendo o benefício durante o ano de 2003. A progressão prevê um aumento salarial de 3,65% para o magistério e 2,5% para os demais servidores.
De acordo com os cálculos do prefeito, o abono vai representar R$ 672 mil a mais na folha de pagamentos, que hoje é de quase R$ 12 milhões. Além do impacto mensal, a prefeitura também terá que repassar cerca de R$ 8 milhões por ano, referente a licença-prêmio. O Executivo propõe o pagamento em dinheiro de 18 dias, por ano, dos três meses de licença garantido a cada servidor a cada cinco anos. O trabalhador ainda poderia usar o dinheiro para quitar dívidas com impostos e órgãos municipais.
‘‘Estamos fazendo tudo dentro do limite extremo para viabilizar o acordo. O abono vai sair da receita do município, trabalhando com o equilíbrio das contas’’, disse Nedson. O prefeito ainda espera reduzir o impacto no orçamento, com a compensação das dívidas dos trabalhadores com os órgãos municipais. ‘‘Na prática, a despesa vai ser contabilizada como despesa de pessoal, mas vamos fazer que tenha receita também’’, contabilizou.
Para a presidente do Sindicato dos Servidores Públicos da Prefeitura de Londrina (Sindserv), Marlene Valadão, a proposta do prefeito é ‘‘palatável’’. ‘‘O ideal seria ter saído a negociação dos 14,86%, mas é um avanço. Aqueles que ganham pouco, terão uma compensação maior. Acho justo, porque aqueles que não tiveram (o reajuste) agora, vão ter no ano que vem, na próxima negociação’’, afirmou Marlene.
Para os 104 servidores que recebem entre R$ 300 e R$ 400, o abono chega a 20%. A grande maioria do funcionalismo municipal, cerca de 4 mil trabalhadores, recebem entre R$ 500 a R$ 1,5 mil. O Executivo deve encaminhar a proposta à Câmara de Vereadores nos próximos dias.

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