Jataizinho - A retirada da caixa d’água que abasteceu por mais de meio século todos os trens que passavam pelo município de Jataizinho (21 km a leste de Londrina) continua rendendo discussão, sobretudo quanto à preservação do patrimônio histórico do norte paranaense.
  A caixa foi desmanchada por uma empresa de ferro velho, com autorização da América Latina Logística (ALL), no dia 30 de outubro. A justificativa é de que a estrutura estava comprometida e ameaçava cair. A prefeitura está pedindo o laudo que justificaria a supressão da estrutura, considerada parte do patrimônio histórico do município.
  Segundo Marcos Cezar, diretor administrativo do município, a caixa era feita de ferro inglês e estaria inserida no projeto de preservação do patrimônio histórico de Jataizinho. ‘‘Há meio ano, encaminhamos para a secretaria de Cultura do Estado um pedido para o tombamento do local’’, revela. A prefeitura já estuda possíveis iniciativas legais, caso não se comprove a necessidade do desmanche da caixa d’água.
  A situação que ocorreu em Jataizinho é semelhante ao que acontece em dezenas de cidades, não só do Paraná como de todo o País, acredita a arquiteta e urbanista Hislaine Picone, 24 anos, de Uraí. No seu trabalho de conclusão de curso ‘‘Requalificação do Antigo Pátio Ferroviário da Cidade de Ura풒, apresentado em dezembro do ano passado, ela aborda a viabilidade de transformar o local em um complexo, contendo uma escola escola oficina e até mesmo um auditório rural.
  Além da recuperação do patrimônio, a proposta é criar condições para que a população local volte a freqüentar a instalação. ‘‘Seria uma situação interessante, que já é praticada em diversos municípios’’, lembra a arquiteta. Inaugurado em 1936, o pátio é a primeira construção de Uraí. A prefeitura está atenta ao valor da construção, e está em negociações com a Rede Ferroviária Federal S.A para adquirí-la. A administração municipal vem limpando o local com freqüência. O terminal de embarque está passando por reformas, e será usado na programação natalina da cidade. Outros dois galpões estão em pior situação. Em um deles, parte do telhado cedeu. Camisinhas, garrafas e todo o tipo de resíduos podem ser encontrados em seu interior.
  Situação de abandono idêntica a do galpão ferroviário de Jataizinho. Arrasado pela falta de conservação e pelo vandalismo, a bagunça feita no local gera reclamações dos vizinhos.
  Diferente do que pode ser visto em vizinhos como Cornélio Procópio, onde a estação local, assim como a de Londrina, foi transformada em museu. Em Bandeirantes, o espaço deu lugar a salas comerciais. No interior de São Paulo, em municípios como Bananal, o imóvel ferroviário foi tombado. ‘‘Onde permanece o descaso, o patrimônio histórico ferroviário está sendo depredado’’, alerta a arquiteta.

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