Prefeito vive 'inferno astral'
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domingo, 28 de janeiro de 2007
Fábio Cavazotti<br> Reportagem Local 
corte de energia em cinco órgãos municipais, incluindo o prédio da prefeitura, em dezembro, acendeu a luz vermelha das contas de Primeiro de Maio. Somente com a Copel, a dívida chega a R$ 1,3 milhão.
O inferno astral teve sequência com a condenação do prefeito, Mário Casanova (PMDB), por nepotismo, e a reprovação da prestação de contas pelo Tribunal de Contas (TC). A oposição reclama que a cidade não pode atrair investimentos por falta de certidão negativa. Em meio à correria para renegociar os débitos, Casanova falou à Folha.
Como uma prefeitura chega ao ponto de ter a luz cortada?
É a dificuldade que todas as cidades estão passando devido à queda de arrecadação. Você pode ver na Copel que centenas de prefeituras estão em situação difícil. Quando assumi peguei uma dívida de R$ 2,3 milhões. Então, não desmerecendo a Copel, tive que optar pelo pagamento de salário dos servidores.
A dívida com a Copel já foi renegociada?
Parcelamos uma parte de R$ 413 mil e estamos pagando mensalmente cerca de R$ 17 mil. Passamos uma procuração para a Copel e eles recebem diretamente alguns repasses da prefeitura, como ICMS e IPVA. A outra parte da dívida, de aproximadamente R$ 800 mil, ainda estamos negociando.
Como o senhor encarou a condenação pela Justiça visando demitir cinco parentes seus, do vice-prefeito e do presidente da Câmara?
Eu sou uma pessoa democrática e respeito a Justiça, mas quando saiu a decisão, dois parentes já tinham saído. Em dezembro, meu irmão também saiu. Quanto aos outros dois, decidi recorrer da sentença. Minha irmã é essencial nesse momento que estamos fazendo uma reformulação na Saúde e a filha do vice vai comandar a merenda centralizada.
O senhor não foi encontrado pela Justiça durante o mês de dezembro em Primeiro de Maio, o que deu vazão a boatos de que estava fugindo da intimação...
Não, isso não. Existem dois tipos de administrador: o que fica sentado e o que corre atrás. Sou dos que correm atrás. Se eu ficar sentado, vou ser apenas um recebedor e um pagador. Nesse mês estive atrás de recursos para a rede de esgoto e diversos outros investimentos. Boa parte da verba foi liberada pelo governo.
E a dívida com a Emater?
Está avaliada em R$ 38 mil. Estive com a direção da empresa em Curitiba, recebemos carta branca porque eles sabem da dificuldade que os municípios estão passando e vamos parcelar o débito.
O que levou à reprovação de duas prestações de contas de sua gestão pelo Tribunal de Contas do Estado?
Se você procurar hoje no Paraná, a maioria dos municípios está com a prestação prévia reprovada. Em Primeiro de Maio, ainda temos direito a recorrer. Então, não existe condenação definitiva.


