Prefeito começa com cautela e sabe dos problemas
O prefeito Barbosa Neto fala com cautela em suas primeiras entrevistas, como fez ontem ao repórter Fernando Faro, deste Jornal. Nada por ora de mais ousado, certamente já sentindo que as coisas não são fáceis quando se assume as rédeas do poder. Nos palanques e por trás de microfones e câmaras é a teoria, e no comando das coisas é a prática. Mas com certeza o novo ocupante da Prefeitura de Londrina conhece os macro problemas do município, porque foi um profissional das comunicações, deputado estadual e deputado federal.
E tais problemas, já enumerados neste espaço e do conhecimento de todos, nem chegaram a ser mencionados na entrevista, porque ainda não é hora de cobranças e de exigir-lhe pronunciamentos. Há escassez de dinheiro e endividamentos, embora se saiba que muita coisa em administração pública se faz com boa vontade e com apelos à cooperação da comunidade. Adquirir a confiança da população é importante (como é propósito anunciado do prefeito) e isto se conquista pela realização de pequenas e grandes obras e com honestidade.
Na pauta das questões mais complexas está a moradia popular, e embora o projeto federal de financiar 1 milhão de casas até 2011 a cota de Londrina é pouca para a necessidade. Porque são muitos os cortiços, e ali a condição de vida é desumana, nem sendo necessário dizer. Dar atenção aos carentes é uma das primeiras providências e isto remete também para a busca de condições que propiciem mais empregos. Esta é uma contingência da conjuntura nacional, mas cada célula municipal deve promover, até onde lhe cabe e for possivel, o estímulo à implantação de empresas e instituições que empreguem. A segurança é também uma questão de abrangência nacional e foi incluída na pauta de campanha de Barbosa Neto. A anunciada criação da Guarda Municipal será uma fórmula de atenuar o problema. Mas é a miséria social, a índole e a formação moral dos indivíduos que induzem à criminalidade. Habitação decente, emprego e educação são fundamentais para reaprumar a vida dos que estão na marginalidade, e esta deve ser também uma preocupação da sociedade.
Outras questões pontuais são a reestruturação do sistema viário de Londrina (que tem 260 mil veículos automotores), porque se isto não foi feito o poder público converte-se também num infrator. É preciso afastar um pouco a visão apenas fiscalizadora dos motoristas e reordenar a infraestrutura instalada, que tem muitas deficiências. O transporte coletivo precisa ser melhorado e estimulado. O mais, por enquanto, é um bem elaborado Plano Diretor, o ILS do aeroporto, equipamentos urbanos necessários, a limpeza e o embelezamento da cidade.





