Donos de postos de combustíveis de Londrina, no momento presos sob acusação de fraudes, comandam por trás das grades o aumento do preço do álcool. Ao mesmo tempo ocorre a repetição da denúncia de que o preço de certas mercadorias, estampado nas etiquetas ou gôndolas dos supermercados, não confere com o do código de barras – este óbviamente mais elevado. No caso do álcool, amostras examinadas pelo Departamento de Química da Universidade de Londrina revelaram adulteração, e uma delas apresenta 24% de gasolina e 76% de álcool e água. Imagine-se o estrago que isto causa ao motor do veículo, um bem de elevado custo e de difícil aquisição para a maioria das pessoas. Em ambos os casos o que falta é conscientização, e por mais punições que ocorram, elas eventualmente corrigem a alguns mas não terão efeito duradouro se falta aquele nível de entendimento. No caso dos postos, prisões anteriores ocorreram mas persistem o problema da adulteração de combustíveis, a falsificação de documentos e outras manipulações. Por outro lado, conforme este jornal apurou, há clientes que correm atrás de preço mais baixo e não da qualidade, portanto conscientes acerca de eventuais adulterações, favorecedoras de concorrência desleal. Por conta de alguns centavos a menos, colocam em risco o motor do carro, com prejuízo infinitamente maior na continuidade. Por essa razão a prática fraudulenta de certos postos não deixa de constituir um atentado contra o patrimônio alheio. Quanto aos supermercados – cuja denominação genérica acabou incluindo também os pequenos e não apenas os super – a desobrigaçãos legal de etiquetar cada produto dificulta a escolha do consumidor e obriga-o à complicada tarefa de, se desejar, ir aos aparelhos de leitura ótica conferir preço. Não é fácil, porque – onde esses aparelhos existem – eles são poucos. Correr na direção deles num gigante mercado, para ver o preço de cada produto retirado da gôndola, significará uma repetitiva e cansativa maratona, e checar tudo de uma vez, com o carrinho abarrotado, exigirá ir removendo todos os produtos, item por item. Nos casos de quem compra em quantidade, o leitor ótico acabará não sendo utilizado. Retorna-se então ao apelo para a honestidade dessas casas de comércio, no sentido de colocarem o preço certo (e não adulterado como os combustíveis) nos códigos de barras. Assim o freguês acreditará que os preços das promoções – que sempre ocorrem com este ou aquele produto – são verdadeiros e que o código de barras corresponde. Mas a fiscalização por parte do freguês ajudará muito, bastando ele munir-se de um bloco de notas e uma caneta. Se já há os que o fazem, a maioria não se preocupa e isto favorece falsidades e propaganda enganosa. Se a conscientização é o desejável antes de tudo – esta mais demorada de se instalar porque exige a cultura de princípios – a vigilância e a pronta reação do consumidor serão de fundamental valia.

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