O aumento de preços de derivados de leite, soja e trigo, atrelados à alta do dólar, e do arroz e feijão, em razão da queda de oferta, assustam o consumidor que frequenta os mercados de Londrina. Os produtos estão tendo acréscimos entre 20% e 26% na maior parte dos casos.
Mesmo artigos como o sabão, seja em pedaços, em pó ou detergente, na esteira da cotação do sebo, também estão mais caros para o consumidor. Ontem e quinta-feira, a reportagem da Folha de Londrina percorreu alguns estabelecimentos da cidade e constatou o susto, e mesmo a aflição, dos consumidores frente aos aumentos.
Os campeões de queixas foram a farinha de trigo, o óleo de soja e o pãozinho. A professora Luiza Kawahigashi, 45 anos, teve sorte ao comprar farinha e óleo para a escola onde leciona. Conseguiu R$ 1,99 para o óleo, e farinha em promoção, por R$ 5,70.
Mas não escapa da ciranda de preços tão fácil: é difícil esconder ao comprar o pãozinho do dia-a-dia. ''Está demais'', queixa-se. Há locais em que o pão francês custa R$ 0,25. Nos maiores mercados, dificilmente está abaixo de R$ 0,20.
Para a cabelereira Denise Ramos de Souza, 30 anos, as últimas remarcações trazem surpresas desagradáveis. Com o carrinho lotado de compras, não foi difícil lembrar dos principais vilões: o arroz, que já chega ao preço médio de R$ 7,00 em algumas redes, e o óleo de soja, que está em R$ 2,15. ''Faço uma compra por mês, mas tenho a impressão que o valor sobe todo o dia'', afirma.
Em junho, o valor médio do óleo ficava na casa de R$ 1,70. ''Nessa semana, fornecedores já estão nos oferecendo o produto no mesmo preço que mantemos na prateleira'', ressalta Ademar Veodato, diretor de compras de uma rede de supermercados.
Alguns acréscimos assustam. Um sabão em pacote com cinco pedaços, que custava R$ 1,38 em julho, hoje está em R$ 1,99. Aumentou 44%.
Só quem tem um registro preciso de valores pagos com as compras tem a real dimensão da situação. Com o auxílio do esposo, a dona de casa Leonor de Prado Mello, 67 anos, controla os gastos com o mercado.
Garante que todos os preços estão aumentando significativamente. ''Só não aumenta a aposentadoria do meu marido, congelada há oito anos'', ironiza a dona de casa.

Denise Ramos de Souza, com o carrinho lotado mas assustada com as últimas remarcações, considera o arroz, que já chega ao preço médio de R$ 7,00 em algumas redes, e o óleo de soja, que está em R$ 2,15 como os principais vilões do preço: ''Faço uma compra por mês, mas tenho a impressão que o valor sobe todo o dia''


A professora Luiza Kawahigashi teve sorte ao comprar farinha e óleo de soja para a escola onde leciona, pagando R$ 1,99 pelo primeiro e R$ 5,70 no pacote de cinco quilos do segundo produto; mas reclama do preço do pãozinho, que custa entre R$ 0,20 e R$ 0,25 em algumas redes: ''Está demais''

Leonor de Prado Mello (acima) diz controlar os gastos com o mercado; ao lado, o aposentado Otávio Leme aproveita a promoção de farinha de trigo: ''Sou aposentado, e em casa fazemos pão para ganhar uma renda a mais''

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