Preços abusivos dos produtos de saúde
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de agosto de 2020
Folha de Londrina 
Em março, quando começaram as medidas restritivas em razão da Covid-19, entidades de defesa do consumidor alertavam para o aumento abusivo de preços praticados na cadeia de fornecimento de insumos nos serviços de saúde pública e particular. Investigações foram abertas em muitos estados para apurar denúncias e, se for o caso, penalizar aqueles que se aproveitaram de um momento trágico para explorar o consumidor.
Quase cinco meses depois do início da crise do coronavírus no Brasil, percebe-se que pouca coisa mudou em relação aos preços praticados nos produtos de proteção individual e higiene, como máscaras de proteção, álcool em gel, aventais descartáveis e outros insumos.
Reportagem publicada na FOLHA nesta quarta-feira mostra como está difícil para estabelecimentos de saúde equilibrarem as contas em meio à pandemia.
Entrevistados contaram à reportagem que entre março e maio, com a alta da demanda e a escassez de produtos no mercado, fornecedores reajustaram os preços em até quatro dígitos, chegando a 9.000% de aumento em alguns casos.
O maior aumento observado foi no preço da máscara tripla, segundo informações repassadas pelos hospitais e clínicas médicas consultados pela reportagem. As altas do equipamento de proteção variaram de 581% a 9.000%. Antes da pandemia, um hospital de Londrina pagava R$ 0,10 por máscara. Com o reajuste aplicado nos meses mais críticos, o item chegou a custar R$ 9 a unidade. A máscara N95 subiu de R$ 1,82 para R$ 56 cada uma.
Nem todos os aumentos de preço podem ser considerados oportunistas. É preciso levar em consideração que o Brasil não estava preparado para a lidar com a escassez de insumos da saúde, embora países da Ásia e Europa davam sinal do que iríamos enfrentar.
Mas aumentar o preço 9.000% dos produtos em um momento de calamidade pública é uma atitude extremamente desrespeitosa. Os fabricantes devem ficar atentos, pois se a punição jurídica geralmente leva tempo, a rejeição do consumidor vem à galope.
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