Preconceito e justiça
Ainda que não seja um levantamento oficial, é alarmante o ranking de homicídios registrados contra homossexuais. Segundo o Grupo Gay da Bahia, entidade que coleta informações sobre homofobia no Brasil há 32 anos, no ano passado foram documentados 338 assassinatos de gays, travestis e lésbicas (o levantamento inclui duas transexuais brasileiras mortas na Itália). O número é 27% maior do que o registrado em 2011.
No Paraná foram 18 mortes, o quinto maior número do País, atrás de São Paulo, Pernambuco, Bahia e Paraíba. No entanto, se forem considerados os últimos quatro anos, o Estado salta para a segunda posição no ranking, com 47 homicídios de travestis e transexuais, atrás apenas de São Paulo. No Paraná, ocorrências deste tipo são registradas mais frequentemente nas regiões metropolitanas de Curitiba e Londrina.
Dados como esse escancaram um fator cultural: as pessoas não estão preparadas para aceitar e conviver pacificamente com o diferente. Em pleno século 21 parece inaceitável que pessoas ainda percam a vida na maioria dos casos depois de muita violência simplesmente porque são homossexuais. Além do preconceito extremado, as ocorrências reforçam a necessidade de realização de campanhas educativas que ensinem a população a respeitar os direitos humanos dessa população, além da punição efetiva dos culpados. A reivindicação da comunidade LGBT é que crimes homofóbicos sejam equiparados ao crise de racismo, o que é justo. Práticas como essas não podem continuar a serem ignoradas.
A Constituição Federal, em seu artigo 3º, parágrafo 4º, expressa como um dos objetivos fundamentais do Brasil a promoção do "bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação". Uma sociedade justa e igualitária se constrói com respeito às diferenças, por isso, qualquer tipo de preconceito deve ser extirpado da sociedade.





