Preço dos combustíveis e a Petrobras
A Petrobras anunciou ontem que apresentará uma nova metodologia para ajustar o preço de seus principais combustíveis (gasolina e diesel). A intenção é reajustar automaticamente os custos sempre que eles ficarem abaixo dos praticados no exterior. No entanto, o novo método só poderá ser implantado depois de aprovado pelo Conselho de Administração da companhia, cujo presidente é o ministro da Fazenda, Guido Mantega. A reunião está marcada para 22 de novembro.
Não é novidade que há algum tempo a Petrobras tem apresentado resultados aquém dos esperados. No ano passado, foi anunciado prejuízo. Como o Brasil consome mais petróleo do que consegue produzir, a explicação recai sempre para a defasagem entre os preços praticados no mercado externo e no interno. Cálculo da estatal indica que a cotação da gasolina está defasada em 6,5% e do diesel, 19%.
No final da semana passada, a Petrobras anunciou lucro líquido de R$ 3,39 bilhões no terceiro trimestre, uma queda de 39% em relação ao lucro de R$ 5,6 bilhões registrado no mesmo período do ano passado. Na comparação com o segundo trimestre deste ano, a diferença é de 45,3% para menos.
É importante que a Petrobras procure formas de se manter saudável e com as finanças em ordem. Não interessa ao mercado e, principalmente à população, que a empresa acumule prejuízos e continue trabalhando "no vermelho". No entanto, ao adotar o reajuste automático dos preços dos combustíveis é importante que o governo proteja os consumidores. Infelizmente, no Brasil as práticas comerciais costumam não ser transparentes. Frequentemente os preços são reajustados, mas raramente ocorre o ajuste para baixo. O que deve ser discutido também são as formas de proteger o consumidor e que o preço nas bombas não ultrapasse o limite do aceitável.





