A Fundação Getúlio Vargas mostra que os preços de determinados eletrodomésticos caíram nos últimos doze meses em função da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), e mesmo algumas mercadorias não beneficiadas pela redução do tributo passaram a custar menos. A esperança é que também caia o custo final de tais produtos quando adquiridos no crediário. Porque no mercado nacional uma geladeira custa quase o dobro se o prazo de pagamento for, por exemplo, de dois anos. Assim ocorre também com vários outros itens de uso doméstico.
No caso do automóvel o Governo já abocanha gorda quantia com imposto - o que é repassado ao custo final para o comprador - e quem decide pagar, por exemplo, em 60 meses já sabe que isto lhe custará meio veículo a mais. Por isso quem pode, compra à vista, mas a maioria não tem essa condição e adquire esse bem segundo a possibilidade do ganho mensal.
Mesmo com oscilações periódicas, o mercado de tais produtos se mantém aquecido, porque com todos os problemas e mesmo vivendo-se uma crise financeira mundial, no Brasil geladeiras, máquinas de lavar, fogões, aparelhos de som, tevês (incluindo as de plasma, que caíram 70% de preço desde o lançamento) e até o automóvel (novo ou usado) passaram a ficar ao alcance de grande parte da população. Os juros embutidos oneram bastante os que compram a prazo, e quem anseia possuir um bem de mais valor, como os citados, tem se sujeitado a pagar essa cota adicional. Mas se o freguês não souber fazer as contas poderá cair na inadimplência ou - se o prazo for muito extenso - ficar por longo tempo impossibilitado de adquirir outras coisas. As dilatadas prestações, se por um lado permitem a compra, têm também a faceta negativa de adiar por algum tempo a aquisição de outros bens, caso das pessoas de renda média. E isso acaba prejudicando também o comércio, porque ocorre temporariamente uma retração de compras. Diminuir os juros do crediário poderia estimular o consumo de uma maior quantidade de produtos e serviços.
Reduzir custos finais também resultaria em maior consumo e em maior giro comercial, aquecendo a economia e gerando mais empregos e impostos, que em face de um maior volume de receita poderiam ter suas alíquotas rebaixadas. A redução do IPI precisa servir à causa dos negócios mas também ao freguês, porque se o preço de uma mercadoria baixa em seu valor unitário, os juros embutidos quase dobram o custo quando o prazo das prestações é mais dilatado.
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