O clima de otimismo que pairava no ar após as eleições presidenciais de outubro e nos primeiros dias do ano, com a posse de Jair Bolsonaro (PSL), está se esvaindo. E quem demonstra isso é o setor mais emblemático do País: a economia. O PIB (Produto Interno Bruto) registrado no primeiro trimestre deste ano recuou 0,2% em relação aos últimos três meses de 2018, resultado que mostra uma quebra das expectativas positivas e uma maior dificuldade em aprovar medidas de incentivo à produção de riquezas.

Segundo os dados divulgados nessa quinta-feira (30) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), houve queda de 1,7% na FCBF (Formação Bruta de Capital Fixo), que representa que empresários deixaram de investir em máquinas e equipamentos porque não consideram um aumento de demanda no horizonte.

Atividade que é considerada uma das grandes molas propulsoras do desenvolvimento, a construção civil também sente os reflexos da estagnação, com recuo de 2,0%, ainda diante da baixa oferta de crédito e endividamento do consumidor. A indústria da transformação, atividade importante na geração de empregos, apresenta alta ociosidade e revela pouca necessidade de contratação de mão de obra. O resultado: retração de 0,5% no resultado.

Esses resultados negativos indicam uma chance baixa de o País ter um crescimento aceitável para a economia nacional em 2019.

Economistas ainda não falam em recessão, cenário que o desastroso governo Dilma Rousseff (PT) estabeleceu com intervencionismo desregrado e uma política cambial reprovada por sua própria econômica. Mas o sinal de alerta está ligado. Se é fato que não se pode imputar toda a responsabilidade pela estagnação econômica ao governo Bolsonaro, não há como negar que as trapalhadas na política educacional e discursos enviesados que confrontam a relação republicana que se faz necessário estabelecer com o Congresso e confundem o mercado ajudam a colocar o País neste cenário tão incerto.

A aprovação da Reforma da Previdência, fundamental para evitar o descarrilamento indesejado, corre risco pela inabilidade do Planalto em priorizar suas agendas. O que se espera é que o pacto estabelecido entre os três poderes nesta semana seja o pontapé inicial para que o Brasil saia, enfim, da inércia. O setor produtivo, a classe trabalhadora e os 13 milhões de desempregados agradecem.

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