O que fazer para controlar a violência nas escolas é uma questão que todos tentam responder. A professora Luiza Cavazotti e Silva, diretora educacional da guarda-mirim de Londrina, conta como conseguiu mudanças significativas no comportamento dos adolescentes. Ela é fundadora e diretora do Instituto de Educação Infantil e Juvenil (IEIJ), que assumiu a guarda-mirim em 2003. Segundo Luiza, a sociedade também tem que se empenhar, exigindo do governo e dos educadores condições para uma educação de qualidade.



Qual era a situação da guarda-mirim quando o IEIJ assumiu?

Havia violência entre os jovens, contra os educadores e funcionários, depredação do prédio. Mas também uma injustiça geral, jovens autoritários inibiam e pressionavam meninos menores, funcionários negociavam poder com adolescentes, diferenças de alimentação e nos banheiros, o dos meninos não tinha nem papel higiênico.



Como as mudanças foram feitas?

O importante foi o conhecimento profissional. Como profissionais da educação, somos responsáveis pela aprendizagem intelectual, social e moral dos educandos. Nosso plano de trabalho se baseou no que usamos no IEIJ, onde o princípio é a identidade, a pessoa.



Como é o relacionamento com os adolescentes?

Estabelecemos regras. Por exemplo, eles tinham direito a um banheiro de qualidade, e o dever era limpar a sala todos os dias, não jogar comida no chão, varrer o pátio de acordo com um rodízio. O adolescente sentava na frente do educador e assinava um compromisso, um contrato. Então lançamos uma série de regras e a punição seria, ao final de várias desobediências, uma conversa com o adolescente e os pais.



Qual deve ser a atuação nos casos de violência?

A primeira coisa seria separar a infração da indisciplina, a escola não pode tratar de infrações, a polícia é a responsável por isso. Nosso papel é a educação. O educador não tem direito de mostrar medo para o adolescente, esse é um dos problemas graves das escolas. Uma vez disse para um menino: pode vir me bater, não tenho nem força e nem pretendo bater em você, continuo gostando e respeitando mesmo que me desrespeite. Isso funciona com alguns, em casos mais graves você chama a polícia. O medo é uma arma a favor da violência.



O que falta aos educadores para lidar com a situação?

Falta a questão profissional, é parte da nossa profissão educar todos. Essa história da escola dizer isso não é meu papel, é sim! Uma das coisas que conseguimos na guarda foi um excelente relacionamento com as famílias. Apenas 10% dos adolescentes atendidos têm família que não se importa, os outros são como as famílias de classe média que não dão conta dos filhos. Cabe à escola se educar, educar os meninos e ainda ajudar na educação das famílias e ter o auxílio da lei para a infração.



Hoje há uma preocupação da escola e dos educadores em se proteger...

Ela se comporta como vítima, mas é protagonista da educação. Temos todas as ferramentas e condições para ter uma educação de alta qualidade. Uma literatura ampla sobre o papel da educação, a ciência mostrando como se aprende, a neurofisiologia, como o cérebro se desenvolve a partir da aprendizagem. Mas se uma pessoa dos séculos 16, 17 ou 18 caísse aqui hoje só se reconheceria na escola, que continua com o quadro de giz, o professor achando que o aluno aprende pela sua fala e pelo que está escrito no quadro ou então nesses livros 'maravilhosos'. Precisamos fazer uma revolução educacional, sair do atraso em que estamos.



Que conselho dá para os educadores que estão com medo?

Estudar todos os dias, estar em consonância com os colegas, planejar atividades que tenham cabimento. Tudo isso é muito trabalhoso, mas o bem-estar, a plenitude profissional e a gratificação de fazer um trabalho com resultados supera as dificuldades encontradas.

mockup