A depressão, que sempre foi encarada como um mal dos adultos, também vem afetando um número cada vez maior de crianças e adolescentes. É uma das doenças que mais têm preocupado médicos, psiquiatras e psicólogos, como falou à FOLHA a pediatra e integrante do Departamento Científico de Desenvolvimento e Comportamento da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) Ana Márcia Guimarães Alves. Segundo a médica, houve aumento na incidência de todos os transtornos ligados ao neurodesenvolvimento.

A FOLHA traz neste fim de semana (23 e 24) reportagem que deve ser lida com atenção por pais e profissionais que trabalham com crianças e adolescentes. Trata-se do aumento da hospitalização de jovens por transtornos mentais e comportamentais. Conforme levantamento divulgado pela SBP com base em dados do Ministério da Saúde, 18,2 mil crianças e adolescentes de todo o País com idade entre 0 e 19 anos chegaram a ser internados no ano passado pelo SUS (Sistema Único de Saúde) em razão de doenças mentais. Apenas na faixa etária de 15 a 19 anos foram mais de 14,4 mil internações, maior índice desde 2009.

O crescimento expressivo da hospitalização de pacientes entre 10 e 14 anos também preocupa os especialistas. Considerando essa faixa etária, as internações dobraram e houve um salto de 1.508 (em 2009) para 3.128 (em 2018). No acumulado dos últimos dez anos, o Ministério da Saúde registrou quase 25 mil pacientes internados nessa faixa etária. As estatísticas incluem transtornos de humor, transtornos mentais e comportamentais ocasionados pelo uso de substâncias psicoativas e de álcool, demência, esquizofrenia, entre outras doenças.

A pediatra alertou que a negligência por parte dos pais, a falta de acesso a profissionais qualificados e a recusa ao diagnóstico e ao tratamento em razão ainda do preconceito relacionado aos transtornos mentais e comportamentais podem ter consequências negativas para toda a sociedade.

Crianças e jovens com transtornos não tratados poderão se tornar adultos disfuncionais, impactando a sociedade no futuro. Pais e educadores precisam assumir o papel de identificar sinais desses transtornos e adotar uma postura preventiva. Sabe-se que entre os fatores ambientais que causam essas disfunções estão a sobrecarga das atividades diárias das crianças e o uso exagerado e não supervisionado da tecnologia. Lembrando que a criança é membro de uma família que também pode estar doente, adiar o tratamento só vai complicar o problema.

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