Precipitação de Ministério e Conesa
Age acertadamente o juiz federal Cleber Sanfelici ao impedir, por medida liminar, o abate sanitário de bovinos na fazenda Cachoeira, até que ''a União efetivamente apresente indícios que acarretem suspeita da existência de febre aftosa''. A decisão é tomada logo após o Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária (Conesa) haver decidido pelo sacrifício de todo o rebanho da propriedade, que tem 1.800 cabeças. A exigência é, também, que o Governo apresente, no prazo de cinco dias, todos os laudos técnicos emitidos pelo Laboratório Nacional Agropecuário. Se, pelo critério da Justiça, faltam comprovações, então foi precipitado o cometimento do Ministério da Agricultura e Pecuária de interditar a fazenda, e o de agora, do Conesa, de aprovar a matança do plantel. Está evidente, até eventual prova em contrário prova que até agora não foi apresentada que o Ministério e o Conesa agiram apressadamente, beirando à irresponsabilidade. A corrente para tentar impor a febre em território paranaense tem sido avassaladora, e já se vão três meses e meio desde que a suspeita foi levantada e o Paraná ficou literalmente sitiado, ademais sofrendo o bloqueio da venda externa de carne bovina. Se, durante todo esse tempo, uma moléstia de fácil contágio não se alastrou porque não detectada agora a União (entenda-se o Ministério do caçador de aftosa Roberto Rodrigues) terá cinco dias para apresentar seu pacote de razões, se é que o possui. O presidente da Sociedade Rural do Paraná, Edson Neme Ruiz, com razão manifesta-se indignado com o rumo dos acontecimentos, e teme por prejuízo na próxima Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, que se realizará no começo de abril. Integrante do Conesa e presente à reunião que decidiu pelo abate sanitário, ele absteve-se de votar, por não reconhecer a existência da aftosa nos rebanhos do Paraná. O receio se já não bastassem os prejuízos que estão ocorrendo desde outubro é que haja queda de negócios de gado na próxima Feira. No mês que vem realiza-se em Cascavel o já tradicional Show Rural, e esse evento será um balizador do que poderá acontecer na Exposição de Londrina. O abate sumário, de uma só vez, de 1.800 bovinos de uma mesma fazenda por questão vinculada à sanidade, é fato que causa grande impacto. Os prejuízos acenam de todos os lados, e esse sacrifício de animais será um desastre caso venha a ocorrer, apenas estribado em hipóteses. Tratando-se de questão tão relevante para a economia brasileira, focalizada por todos os veículos de comunicação portanto sem possibilidade de se alegar ignorância não se viu do presidente da República, em todo esse tempo, qualquer demonstração de interesse pelo caso. Isto mostra a sua alienação acerca do que ocorre no País, tanto no setor do agronegócio como tantos outros. Também o governador Roberto Requião e a Assembléia Legislativa parecem alheios a esse vendaval que assola o Paraná. Nem a representatividade política paranaense em Brasília se mobiliza com empenho, a não ser casos isolados de integrantes da bancada ruralista. O Estado, sob esse aspecto, ficou órfão.





