Prazo longo para diminuir emissão de gases
De um lado os ativistas do Greenpeace pedindo que o Grupo dos Oito aja já, e de outro os titulares do G-8, reunidos na Alemanha, anunciando que pretendem cortar pela metade a emissão de gases industriais nocivos ao ambiente. Mas isto só daqui a 43 anos - ou até 2050, como anunciaram. Tempo mais que suficiente para a intensificação do aquecimento global, tão temido e que se prenuncia avassalador. E essa meta, mesmo assim, não tem garantia de execução, porque entre anunciar numa reunião de cúpula e levar a prática adiante muita fumaça fluirá pelas chaminés.
Com todas as suas extravagâncias - e parece não haver outro caminho - é o Greenpeace a grande bandeira erguida contra o perigo mundial de um desastre ambiental. Esses militantes sabem do baixo teor de consciência dos líderes das poderosas nações, detentoras de grande estrutura industrial e que não desejam nem diminuir o ritmo de produção e nem encontrar fórmulas imediatas de conter a poluição, que exige investimento mas acima de tudo juízo e boa vontade. O presidente George Bush, que não assinou o Protocolo de Kyoto e demonstra pouca preocupação com o quanto o seu país polui a atmosfera, parece, na presente reunião, mais preocupado em instalar seu sistema de defesa antimísseis no Leste Europeu.
Seu idealismo bélico revela-se com freqüência e é tão preocupante quanto o risco do aquecimento do planeta e das conseqüências drásticas, para a humanidade, que isto irá provocar. Melhor do que nada não basta, se este for o consolo dos que afirmam que, ao menos, os governantes dessas maiores nações estão reunidos para discutir a contenção da emissão dos gases venenosos à vida planetária. Porque uma medida urgentíssima - que deveria ser tomada já na volta deles para casa - só é anunciada para acontecer nas próximas quatro décadas, e assim mesmo não por inteiro mas apenas pela metade.
Despoluir não quer dizer fechar as indústrias de chaminés de todo o mundo, pois o caos econômico se implantaria, mas adotar imediatamente os meios de filtrar os gases poluentes, porque a tecnologia tem recursos para isso. Se a chanceler alemã Angela Merkel - a autoridade anfitriã da cúpula - afirma que o acordo celebrado é um grande êxito, esbarra no desapontamento mundial, especialmente dos ambientalistas militantes e a retaguarda científica, ante esse prazo tão dilatado para fazer alguma coisa. Se a redução for apenas de metade em quase cinqüenta anos, imagina-se que serão necessários outros cinqüenta para reduzir a outra metade. Certamente que haverá poucos sobreviventes para assistir a esse acontecimento.





