Professor de inglês por mais de dez anos, Julio Menochelli, hoje assessor em marketing de uma editora inglesa, esteve em Londrina semana passada, onde participou de um evento no Anfiteatro do Colégio Marista. No hiato da participação, Julio concedeu entrevista à FOLHA. O futuro do inglês, das escolas de inglês e o atraso do Brasil em relação a países como Colômbia e Chile tomaram a roda de discussões.

O inglês deixou de ser uma ''segunda língua'' e agora é requisito básico?
Acatando um pedido da rainha Elizabeth II, o Conselho Britânico, que é um órgão patrocinado pelo governo da Inglaterra, encomendou um projeto para descobrir o futuro do inglês. Descobriu-se que, num passado bem próximo, o inglês era tido como língua estrangeira. Hoje, por sua vez, as pessoas falam inglês como língua franca, não somente em situações de viagens ou mais específicas. A importância do inglês é muito grande e vai crescer muito nos próximos dez anos, mas depois vai haver um declínio.

Declínio?
Como todo império, os Estados Unidos, que atualmente regem a lógica do mundo, vão ''ruir''. Temos a China e a Índia, que hoje aprendem o inglês. Isso dá uma sobrevida. Num futuro próximo, contudo, se China e Índia se consolidarem como grandes potências, provavelmente serão essas as nações que vão definir se continuam ou não a aprender inglês. Aí seremos nós que vamos aprender chinês.

E em relação à América Latina, como está a situação do ensino do inglês?
Dois países destacam-se bastante: a Colômbia, por incrível que pareça, e o Chile, que tem uma política de bilinguismo até 2011. Infelizmente, o Brasil não tem, sequer, uma política de ensino de inglês. Há uma política voltada ao ensino do espanhol para o Ensino Médio. Ao inglês, não.

Tarde demais para se fazer algo no Brasil?
Há uma pressão muito grande. Em 2011, como primeiro passo, o governo terá de comprar livros didáticos para a 5 a 8 séries. Dizem que há uma política de educação, mas não específica para o ensino do inglês, como em outros países da América Latina.

No Brasil, como está a situação de mercado para as escolas de inglês?
Alguns mercados estão se desenvolvendo, outros, retraindo-se. Em minhas viagens, constatei que há um número gigantesco de crianças aprendendo inglês mais cedo, aos 4, 5 anos de idade. Os cursos de inglês, hoje, não podem mais ficar na divisão básico-intermediário-avançado. Há muitas idades e muitas necessidades particulares dos alunos. Assim sendo, os cursos de língua que vão sobreviver são aqueles que se adaptarem. Os cursos de inglês têm entrado, também, dentro das escolas particulares para cuidar da grade curricular, acirrando a competição. Para os jovens que saem da universidade e precisam aprender mais, ou seja, de um inglês focado na profissão, falta, ainda, o inglês em nível avançadíssimo. Por outro lado, a classe média-baixa vai recorrer ao aprendizado da língua. Preços mais baixos e número maior de salas vão ser a saída para as escolas de inglês permanecerem no mercado.

Qual a forma mais fácil de se aprender o inglês?
Nos últimos anos, constatei um fenômeno interessante: estamos voltando aos princípios. Hoje, o que acontece é a abordagem holística do ensino, que consiste em pegar o melhor de cada metodologia e aplicar dentro de sala de aula. A melhor maneira de se aprender inglês é estudando. Não há milagres, do tipo ''inglês em 24 horas'', ''50 frases em cinco minutos'', nada disso. Estudar inglês é um processo que requer tempo e paciência.

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