PRAZER DE ALTO RISCO - Governo falha na prevenção de DSTs
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sábado, 22 de agosto de 2009
Paula Costa Bonini<br> Reportagem Local 
Fazer sexo com segurança é fundamental. No entanto, o número de pessoas que ainda não tem o hábito de utilizar preservativo em suas relações é elevado. Elas se deixam levar pelo momento e são convencidas pelos parceiros de que a camisinha não é necessária e que pode até atrapalhar. A situação se agrava porque, em muitos casos, existe troca de parceiros com frequência.
O sexo praticado de forma leviana pode trazer sérias consequências. Pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde nessa semana mostrou que mais de 10 milhões de brasileiros já teve Doença Sexualmente Transmissível (DST).
O estudo também revelou que 18% dos homens não buscam tratamento e a maioria deles procura solucionar seus problemas no balcão da farmácia. E mais: constatou-se que a probabilidade de contrair DST é maior entre os homossexuais.
O responsável pelo Centro de Testagem e Aconselhamento de DST de Londrina, Edvilson Cristiano Lenttine, afirma: ''Todos nós, sejamos casados, solteiros, heteros ou homossexuais, estamos sujeitos ao risco.''
O número divulgado pelo Ministério da Saúde é alto? Ainda falta conscientização?
Falta conscientização da sociedade, mas o número, apesar de elevado, poderia ser maior. A procura pelo posto de saúde ainda é baixa. Quem procura mais é a mulher até por conta do preventivo, o exame que ela deve realizar uma vez por ano. Mas o parceiro dessa mulher também deve realizar uma avaliação para verificar se ele não tem uma DST.
A pesquisa apontou que 18% dos homens não buscam tratamento contra 11,4% das mulheres. Por que os homens resistem em não se tratar?
O homem não tem a preocupação da mulher. Ele sempre acha que não precisa procurar o médico e que não tem nenhum problema. Ele vai em uma farmácia para não se expor. Se a mulher diz que não tem nenhum problema o parceiro diz que também está bem. Além do preventivo, a mulher é orientada a realizar outros exames e ela deve comunicar seu parceiro para que ele também os faça. Às vezes a mulher não tem um parceiro fixo e, por isso, orienta-se a utilização do preservativo.
Apenas o uso de preservativo é suficiente para evitar DST?
O preservativo, tanto o masculino como o feminino, é o método mais seguro para prevenir essas doenças. As outras formas usadas para evitar gravidez não são métodos de prevenção de DST.
Outro dado interessante é que os homens têm 31,2% mais riscos de contraírem DST. Por que a probabilidade é maior?
A suscetibilidade pode até ser explicada pelo maior número de parceiras sexuais que o homem tem. No entanto, creio que o risco de transmitir e de adquirir a doença é o mesmo entre homem e mulher. O problema é que o homem não busca tratamento e acaba procurando o amigo da farmácia.
A pesquisa também verificou que enquanto 99% das mulheres recorrem primeiro a um médico, 1/4 dos homens busca solução no balcão da farmácia. Quais as implicações da automedicação?
O medicamento pode não ser adequado e causar problemas de alergias e até mesmo intoxicação. O correto é procurar um serviço de saúde que possa orientar qual o medicamento ideal e fornecer preservativo. Não é só pegar um medicamento, deve-se adquirir preservativos o que não é feito na farmácia. A sociedade deve ter a visão de que o serviço de saúde oferece as informações necessárias, o medicamento adequado, o preservativo e os exames. É importante lembrar que só o médico pode fazer diagnóstico.
As pessoas acreditam que DST aparece quando a troca de parceiros é constante. No entanto, a doença pode surgir em relacionamentos estáveis...
Todos nós, sejamos casados, solteiros, heteros ou homossexuais, estamos sujeitos ao risco. Se a pessoa tem um parceiro fixo o mais importante é o diálogo. Às vezes em uma briga simples cada um vai para um canto, tem relações fora do casamento, não usa preservativo e depois volta para casa e traz DST. Observamos que falta comunicação entre os casais e isso acontece também nos namoros.
Que consequências DST não tratada pode trazer?
Depende de cada situação e do indivíduo. Mas existem casos extremos que podem causar câncer no colo uterino ou no pênis.
O governo investe o suficiente em campanhas?
Precisa melhorar a parte de informação. Todos os órgãos envolvidos falham nesse sentido. Os órgãos municipais, estaduais e federal precisam trabalhar juntos.


