O novo presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Vítor Hugo Burko, assumiu o cargo há menos de dois meses e já é alvo de polêmica entre ONGs e ecologistas. Defensor da caça à lebre européia, quando ocupou a prefeitura de Guarapuava, Burko retorna ao assunto dizendo que é uma das alternativas para controlar a ''invasão de javalis'' na região de Ponta Grossa.
Nesta entrevista à FOLHA, Burko também explica porque voltou a permitir queimadas controladas no Estado. Em sua visão, contestada por acadêmicos, a bracatinga - espécie de árvore comum na região sul - só floresce após as queimadas.

Por que o IAP permitiu a volta das queimadas?
A proibição (em 2006) ocorreu porque o Paraná passava por estiagem e havia risco de grandes incêndios. Hoje, as chuvas regularizaram e não se justifica mais. As queimadas são uma prática descrita em lei e permitidas em algumas coisas. Por exemplo, se não fizermos mais nenhuma queimada, estaremos decretando a extinção da bracatinga, cuja semente precisa passar pelo fogo para germinar. Seria fácil dar uma canetada e acabar com a queima da cana, só que tem mais de 120 mil pessoas no Paraná que dependem do corte manual da cana. Na verdade qualquer ação humana produz dano ambiental. Toda pessoa que vai ao banheiro e larga seus dejetos está produzindo um malefício para o meio ambiente. Se quiséssemos a perfeição precisaríamos tirar a população daqui.

No passado, o governo estimulou a produção de arroz e peixes nas margens de rios, prática que vem sendo coibida ultimamente pelo IAP em nome da lei ambiental. Não é um contra-senso?
Esse caso das várzeas o IAP voltou a discutir internamente na semana passada. Sem dúvida nenhuma, no passado existiu o programa do estado Pró-Várzeas, para secar banhados e utilizá-los economicamente. Hoje não podemos penalizar estas pessoas sem uma alternativa, sem uma discussão mais objetiva e mais concreta.

Muitos agricultores reclamam que são mais fiscalizados que grandes indústrias. Existe essa discriminação?
Não tenho condição de interpretar o passado porque eu não estava no cenário. Mas nos primeiros dias da minha gestão instituí uma patrulha volante para fiscalização industrial e hoje já fiscalizamos as indústrias tanto quanto o agricultor.

O senhor é bastante criticado por ambientalistas pela defesa da liberação da caça esportiva quando foi prefeito de Guarapuava...
É muito fácil uma pessoa dizer, ah não, pobrezinho do bichinho, não vamos fazer isso ou aquilo porque o bichinho tem sentimentos. Mas eu, como ambientalista de visão integrada, sei que a lebre européia, que foi trazida para cá, está extinguindo a lebre nativa. Vamos fazer o que, ficar apenas assistindo? Os javalis estão invadindo a região de Ponta Grossa e tirando o habitat do nosso cateto e do nosso queixada. Vamos fazer de conta que isso não existe? Este é um tabu que precisa ser dicustido.

À frente do IAP, o senhor também defende a caça para controle de espécies?
O mundo inteiro utiliza a caça como uma das alternativas. Eu vou fazer aquilo que a sociedade entender que é o melhor, mas, como gestor público, quero e preciso discutir a questão do javali em Ponta Grossa. O que não posso aceitar é que uma ONG, que às vezes não representa ninguém, fique o dia inteiro só apontando o dedo e dizendo que os outros erraram. Tem que apresentar soluções também. Essa questão da caça entra numa discussão sentimental em que eu tenho minhas convicções pessoais. Estou à disposição para discutir, como verdadeiro ambientalista que sou.

E a usina projetada para o rio Tibagi, o senhor é a favor ou contra?
Não tenho conhecimento técnico ainda para me posicionar, é um dos assuntos que ainda não tive tempo de ir a fundo nestes 45 dias de IAP.

mockup