Praias londrinenses
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de setembro de 2004
Humberto Yamaki 
Invenção de Paris. Neste verão, às margens do Rio Sena e várias praças em centros históricos de cidades européias transformaram-se em praias artificiais. Praias efêmeras, com muita areia, palmeiras, piscinas, borrifadores de água, guarda-sóis e espreguiçadeiras que funcionam durante dois meses atraindo multidões. De quebra, vem contribuindo para a reabilitação de áreas degradadas. (Veja, 22.08.2004)
Penso em Londrina, que nasceu num ''alto'', cercado de córregos e ribeirões. Hoje, os córregos estão canalizados e o Lago Igapó, de águas impróprias. Inacessíveis, não permitem tocar nem chegar à água.
Nos anos 50, a população pedia chafarizes para a cidade. Construíram um, o da Praça Rocha Pombo. Alguns anos depois, quando convidaram o paisagista Burle Marx para projetar o Parque da Cidade (1972) às margens do Igapó, a proposta não executada, indicava reanimadores ''lagos'' no meio dos jardins. Mais tarde, a chamada a urbanização do ''Novo Igapó'' (1974) definia praias artificiais em áreas de baixa profundidade, delimitadas por muretas de concreto submersas, com fundo de saibro e areia. Além disso, foram construídas piscinas infantis de água tratada nas suas margens (Folha de Londrina, 26.11.1974). Tudo foi sendo desativado nos anos 80/90.
A Praça Nishinomiya (1986) tinha, na época da inauguração, uma queda d'água como parte de uma paisagem imaginária, que era um atrativo ao lugar.
Londrina poderia ter muitos locais onde se pudesse passear, brincar, ouvir o som da água, caminhar molhando os pés, tornando suportáveis os dias de intenso calor. Enquanto não se criam mecanismos de acesso e de melhora na qualidade das águas dos córregos e lagos, poderíamos começar recuperando as ''praças com água'' na cidade: Rocha Pombo e Nishinomiya.
A Infraero poderia colaborar, bastando fazer funcionar novamente a cachoeira da Praça Nishinomiya, conforme diretrizes de Projeto de Recuperação que entreguei no início de 2002. Uma boa pedida para o verão que se aproxima. Praia londrinense!
HUMBERTO YAMAKI é arquiteto em Londrina
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