Pra inglês ver
Segundo estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada o Ipea, 24,73 milhões de brasileiros viviam na miséria nos últimos meses do ano passado. Quase 15 em cada cem brasileiros sobreviviviam com menos de R$ 2 por dia.
Os dados do Ipea, um órgão do governo federal, tomam por base informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios coletadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), também federal. O Ipea calcula a linha de indigência para 24 estados e regiões do País, adaptada ao custo de vida de cada localidade. Segundo o Instituto, 33,64% brasileiros viviam na pobreza em 2001. É uma multidão de 56,7 milhões de pessoas.
Os números espantam tanto quanto a declaração do presidente Fernando Henrique Cardoso à BBC Brasil, quinta-feira, durante visita à Inglaterra. FHC disse, em alto e bom tom, que ''não existe esse fenômeno de gente morrendo de fome no Brasil''. O presidente ainda garantiu que ''o grau de aperfeiçoamento social já existente no País torna desnecessária qualquer ação assistencialista''.
É certo que nem todos os 56,7 milhões que vivem na pobreza no País passam fome e possivelmente, nem mesmo os 24,7 milhões de miseráveis. Contando com alguns limitados programas sociais dos poderes públicos, nos três níveis, e boa dose de solidariedade de outros brasileiros, uma parcela desse contingente tem conseguido ter comida à mesa apesar do desemprego que disparou e da renda que encolheu nos últimos cinco anos no País.
Mas é só dar uma volta pela periferia de qualquer centro urbano brasileiro ou pelo interior nordestino, por exemplo, para ver que a fome, infelizmente, ainda é um drama brasileiro. Nem é preciso tanto esforço. Basta folhear os jornais ou ligar a televisão, que escancaram todos os dias exemplos de famílias totalmente dependentes da caridade alheia para se alimentar. Isso é fome, mesmo que o presidente não queira que os estrangeiros saibam.
Ruth Meira





