Brasília - Depois de dois dias de reunião, o diretório nacional do PPS formalizou ontem o seu apoio ao governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O partido, que apoiou a candidatura de Lula no segundo turno, decidiu também oficializar que aceita integrar a equipe do futuro governo.
O presidente do PPS, senador Roberto Freire (PE), deverá se reunir ainda esta semana com o presidente do PT, deputado José Dirceu (SP), para discutir a participação no governo Lula. Na semana passada, durante encontro entre o candidato derrotado à Presidência Ciro Gomes e Lula, o PT já havia deixado claro que pretendia contemplar o PPS com cargos.
''Queremos ter co-responsabilidade com o futuro governo. Mas não temos nenhuma posição predeterminada em relação a cargos. Vamos apoiar o governo do PT no Congresso e na sociedade, agora se isso vai se refletir em cargos de primeiro, segundo ou terceiro escalão, isso vai ser fruto de conversas'', afirmou Freire.
Com 15 deputados federais e um senador, o PPS é um dos partidos que apoiou Lula no segundo turno das eleições e agora decidiu aderir oficialmente ao futuro governo. Outros partidos como o PSB, que elegeu 22 deputados, o PDT, com 23 deputados, e o PTB, também com 23 deputados, já estão praticamente aliados ao novo governo.
Roberto Freire observou que o governo de Lula não poderá fazer milagres. Mas, para ele, o PT tem que se empenhar para tentar aumentar o salário mínimo acima dos R$ 211,00, previstos no Orçamento Geral da União de 2003. ''Vamos saber quais são as possibilidade concretas para aumentar o mínimo, mas temos de tomar cuidado com algumas questões como, por exemplo, não inflacionar a arrecadação. Isso é perigoso porque pode criar uma bola de neve'', disse o presidente do PPS.
Em sua avaliação, os petistas precisam se conscientizar que, agora, são governo e portanto são obrigados a ter responsabilidade fiscal.''Quando O PT não tinha responsabilidade de ser governo poderia até dizer que não tem nada a ver com responsabilidade fiscal. Infelizmente o PT não votou a favor da responsabilidade fiscal. Mas acho que essa mudança de lado vai fazer com que o PT se adapte rapidamente'', disse Freire.

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