PPB entra na briga pela presidência da Câmara
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terça-feira, 19 de novembro de 1996
Agência Estado 
BRASÍLIA - O prefeito Paulo Maluf e o presidente do PPB, senador Esperidião Amin (SC), querem a presidência da Câmara dos Deputados. Fortalecidos pela vitória de seus candidatos nas prefeituras de São Paulo e Florianópolis, Maluf e Amin almoçaram juntos ontem e decidiram que o PPB deve brigar com os aliados do PMDB, do PFL, e até com o Planalto para comandar a Câmara.
O joguinho de capitania hereditária e cartas marcadas do PFL e do PMDB não tem o nosso apoio, anunciou o presidente do PPB, depois do encontro com o prefeito paulista. Tomamos uma decisão e vamos submetê-la à bancada, com o apelo para que tenhamos candidato à presidência da Câmara, completou o senador. Na prática, porém, o apelo em favor da candidatura própria não passa de uma formalidade dispensável.
Cansado de ouvir queixas dos líderados contra os maus tratos do governo, o líder do PPB, deputado Odelmo Leão (MG), é um dos defensores do lançamento de candidato próprio ao comando da Câmara. Queremos uma presidência mais independente em relação ao governo, tem dito o líder. Repete, assim, o discurso insistente do deputado Prisco Viana (PPB-BA), que trabalha sua candidatura a presidente da Casa dentro e fora do PPB já há quatro meses.
A Câmara tem que ter uma direção isenta e independente, insistiu Prisco ontem. Além da experiência de quem está no sétimo mandato de deputado e foi duas vezes líder e secretário-geral do partido, Prisco conta agora com mais um dado a seu favor junto ao partido: a renitente oposição ao governo na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.
Diante da disposição do líder, Amin mandou ontem mesmo um recado ao governo: Se a bancada comprar nossa idéia, a decisão é unilateral. O senador diz que o relacionamento com o governo será o da cooperação naquilo que une Executivo e PPB. Referiu-se exclusivamente às reformas constitucionais. Ele sustenta a tese de que os demais partidos aliados ao Planalto terão, no mínimo, que respeitar a decisão do PPB.
Não temos compromisso com o que não assinamos, não testemunhamos e nem sabemos se existe, disse a acerca do acordo entre PMDB e PFL para dar a cadeira de presidente da Câmara a um peemedebista. A movimentação do PPB pode pôr em pé de guerra a base governista na Câmara, dificultando a aprovação da emenda da reeleição, mas isto não preocupa os pepebistas. A presidência da Câmara é um projeto político do partido, resumiu Amin.


