Têm razão os eleitores quando reclamam dos ataques mútuos dos candidatos a prefeito, nos programas eleitorais gratuitos de rádio e televisão. É o caso também de Londrina, cuja campanha ganhou mais intensidade no segundo turno. Se é livre a crítica até porque uma prática universal da democracia incomoda as pessoas quando passa a ser basicamente o ataque. Os cidadãos, especialmente neste turno decisivo, desejam conhecer os projetos de obras de cada disputante, entendendo-se aí não apenas edificações físicas mas também programas de alcance social que não exijam propriamente recursos financeiros e sim políticas públicas inteligentes em benefício da comunidade. A campanha em Londrina reúne um ex-prefeito e o atual prefeito, ambos, portanto, conhecedores das necessidades locais e microrregionais. Diz-se microrregionais porque, por ser sede de região metropolitana, a cidade aure dos benefícios da região mas também lhes presta atendimento, numa infinidade de setores. O prefeito de Londrina é, portanto, um prefeito microrregional e deve estender sua visão para um espaço populacional que extrapola os limites do município. Faltando dez dias para a eleição, é tempo de abandonar a linha horizontal da campanha, que corre rasteira como a água das chuvas, e dar uma guinada em sentido vertical, mais inteligente, à altura da expectativa popular. Porque a população deseja saber o que pretende fazer aquele que se assentar no comando da administração pública nos próximos quatro anos, e para isso será necessário conhecer os propósitos de cada um. São públicos e notórios os problemas do município, não sendo necessário enumerá-los, mas o que se precisa saber é que proposta de solução o poder público municipal pode dar a eles. Isto se saberá pela palavra dos candidatos. Naturalmente que ninguém quer ouvir proposições genéricas, mas específicas e realizáveis, incluindo aquelas que não exigem apenas dinheiro mas acima de tudo boa vontade política. Um governante sábio poderá induzir a comunidade destacamente as suas lideranças para ações conjuntas em benefício comum, e isto é da boa prática gerencial pública e atributo de estadistas. Os eleitores, a quem cabe a responsabilidade de decidir por eles, pelo restante da população e pelos indiretamente interessados da comunidade vizinha, querem saber mais, e os dois candidatos têm o dever de declarar o que pretendem. Promessas generalizadas, estas são comuns no vocabulário dos políticos, mas o povo quer saber de que forma elas se concretizarão. Como, no caso de Londrina, não são dois candidatos novatos em administração pública, eles devem ter as respostas.

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