A deterioração da economia brasileira, com inflação em alta e aumento do desemprego, tem levado a população a rever seus hábitos de consumo. O comportamento já é sentido pelas indústrias e, consequentemente pelo varejo. Em um momento de crise, o cenário não podia ser diferente, até porque 62% das famílias estão endividadas, segundo pesquisa da Fecomércio Paraná divulgada recentemente.
No entanto, apesar das estatísticas mensais que apontam para a redução do saldo da poupança brasileira, pesquisa da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento aponta que os consumidores pretendem economizar mais durante este ano. A intenção é baseada na opinião dos brasileiros de que a situação do País está ruim ou péssima; na crença de que o desemprego irá aumentar e porque as pessoas estão endividadas. A maioria dos débitos é com o cartão de crédito – uma das modalidades com maior taxa de juros. Além disso, muitas famílias não têm conseguido "fechar as contas" no final do mês.
Importante frisar que o problema não é o endividamento. O que não pode ocorrer é o descontrole financeiro, que leva a inadimplência. Os brasileiros têm uma grande demanda reprimida por alguns tipos de produtos, mas não têm educação financeira, não têm o hábito de poupar e não sabem como controlar suas despesas. A educação financeira e os problemas gerados pelo descontrole deveriam ser ensinados às crianças e aos adolescentes nas escolas.
Depois de décadas de inflação descontrolada, quando era difícil mensurar receitas e despesas devido à constante variação dos preços, chegou a estabilidade econômica, o que proporcionou o aumento de crédito no mercado. Dinheiro disponível, aliado à demanda reprimida, contribuiu para aquecer a economia interna. No entanto, esse fator acarretou em dívidas. Inadimplência alta não interessa a nenhum participante da cadeia produtiva e, por isso, é preciso investir em educação.

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