Inflação em alta e o endividamento das famílias impactaram diretamente na captação da caderneta de poupança. Dados do Banco Central divulgados ontem indicam que os depósitos superaram os saques em R$ 9,6 bilhões no primeiro semestre deste ano – o menor valor em três anos. O volume mostra que houve queda de 66% em relação ao resultado do mesmo período de 2013, quando o montante foi de R$ 28,3 bilhões. Apesar do resultado, junho registrou captação positiva em R$ 3,2 bilhões, o melhor resultado do semestre.
O dado da poupança é apenas mais um indicativo de que a economia não vai bem. Desde o ano passado, indicadores e pesquisas apontaram para um cenário não muito positivo. Início da escalada da inflação, resultado da balança comercial, fraca produção industrial, emprego industrial sem geração de muitas vagas, queda na arrecadação de impostos e tributos, entre vários outros fatores, compõem o cenário. Além disso, não há nenhuma medida macroeconômica que possa produzir resultados significativos.
A queda da arrecadação da poupança ainda reflete um comportamento cultural. Os brasileiros têm nenhuma – ou pouca – educação financeira. Além de não terem o hábito de poupar, muitas pessoas acabam contraindo dívidas em excesso, o que acaba por gerar inadimplência. Por isso a importância de se investir em campanhas de educação e conscientização, que deve começar pelas crianças em idade escolar. Pesquisa recente divulgada pelo Serviço de Proteção ao Crédito aponta que os brasileiros não sabem controlar suas despesas e nem sabem, com exatidão, como fazer o controle das finanças pessoais.
Há alguns anos a estabilidade da economia, aliada ao aumento de crédito no mercado e à demanda reprimida por bens duráveis e não duráveis, contribuíram significativamente para o aumento do consumo. Se alguns brasileiros exageraram, agora a conta chegou.

mockup