Gélson Gil cita que também o trabalho nas prisões deveria ser desenvolvido considerando a saída do preso. ''Muitos detentos trabalham costurando bola e cozinhando. É importante planejar como ele vai utilizar isso quando for pôsto em liberdade. Como eu disse, o mercado está saturado'', afirma ele.
Historicamente, a porcentagem de presos que trabalham dentro dos presídios é superior a dos que estudam, devido à procura pela renda e pela remição. A PEM é uma exceção, já que o número de detidos trabalhando (217, ou 60,2%) é quase igual ao de presidiários estudando. Na PCE, as dificuldades diminuíram para 146 o número de detentos que trabalham (pouco menos de 10% dos internos). Na PEL, 381 detidos (68%) exercem alguma atividade remunerada.
A penitenciária tem parcerias com cinco empresas (duas de fabricação de bolas, uma de prendedores de roupa, uma de bolsas e outra de materiais fitoterápicos), que oferecem trabalho para cerca de 160 internos. Outros 120 se ocupam em oficinas de artesanato e o restante presta serviços para a própria PEL (faxina, panificadora, lavanderia).
Os presos que trabalham para empresas ganham conforme o que produzem; os do artesanato tiram sua renda da venda dos produtos, feita por parentes e pela própria unidade, enquanto os outros ganham o pecúlio (R$ 42). A remição diminui um dia de pena para cada 18 horas de serviço. ''Só não há mais trabalho para os presos porque falta espaço para mais canteiros (para a realização de oficinas) e não há mais empresas interessadas'', considera Igarashi.
A chefe da Divisão Ocupacional da PEM, a pedagoga Maria Bernadete Sanches, acredita que o aumento do trabalho nos presídios não deve ser responsabilidade de empresas. ''Recusamos muitas parcerias porque algumas empresas parecem querer se aproveitar. Algumas não querem pagar o valor de ao menos 70% do salário mínimo estipulado por lei'', diz Maria Bernadete.
''Acho que (a responsabilidade de gerar postos de trabalho) cabe ao Estado. Os presos poderiam prestar serviços para o próprio governo, como confeccionar materiais de higiene que seriam utilizados pelos funcionários estaduais'', sugere a pedagoga. Já Sandra Duarte, do Sinspp, acha que o governo deveria oferecer mais incentivos fiscais às empresas que se dispusessem a gerar vagas de trabalho nos presídios. ''O Estado também poderia oferecer seguro dos equipamentos das empresas que trabalham nas prisões'', cita a sindicalista, que lembra o caso de uma empresa que sofreu grandes prejuízos financeiros com a quebra de maquinário nas rebeliões na PCE. (F.G.)

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