Quando os casos de gripe aviária se intensificaram, na Ásia, as autoridades governamentais brasileiras pródigas em bravatas afirmaram que o Brasil já estava preparado e com suficiência de recursos preventivos e curativos no caso de contaminação de humanos. Agora se constata que não é bem assim e que o Governo, mais uma vez, só propagandeou. Foram importadas apenas 10 milhões de doses do Tamiflu (o único remédio que pode combater o vírus), isto dando para atender apenas 5% da população. Esse produto já escasseia nas farmácias, porque houve uma corrida em busca dele. Um certo pânico se instalou entre aqueles que não o encontraram, mesmo sem sinais de que o mal tenha chegado ao Brasil. O cuidado haverá de ser médico e também veterinário, para o caso das pessoas e dos animais e estes, ao que se sabe, precisarão ser sacrificados. Pela palavra do médico e secretário do Meio-Ambiente do Paraná, Luiz Eduardo Cheida, o País não tem uma equipe oficial que monitore e pesquise a doença. Diz que também não se instalou a logística necessária para a possível chegada da gripe e os especialistas afirmam que ela não tardará mais que 18 meses para aportar em terras brasileiras. No caso do Paraná, um portal é o porto de Paranaguá, que recebe navios de todo o mundo. E fora de controle ocorre a entrada das aves migratórias. Ao menos o Brasil proibiu a importação de ovos, penas, carcaças e produtos industrializados de origem avícola e oriundos de países com casos confirmados da moléstia. Também impôs o monitoramento das sobras de alimentos à base de carne de aves, nos aviões procedentes das zonas do mundo afetadas. Mas falta um programa de fiscalização nas fronteiras, portos, aeroportos, estações e estradas. No terminal paranaense já está havendo um estudo de procedimentos preventivos. Contudo, o presidente do Conselho de Autoridade Portuária, em Paranaguá, Hélio José da Silva, afirma que o ambiente dos portos não está sendo considerado no plano nacional de prevenção contra a gripe aviária. Certo é que, no Brasil ademais em ano eleitoral, quando os governantes só pensam em reeleição as autoridades vão deixando as coisas acontecerem, até que possa ser tarde demais. No caso hospitalar, onde já são escassas as vagas para os doentes normais, o atendimento será problemático se houver uma epidemia de gripe aviária. O mal já se manifesta na economia, porque houve redução das exportações brasileiras de carne de aves, embora a doença não exista por aqui. Em consequência disso, no Paraná já foram demitidos 256 trabalhadores do setor de abate e preparação de produtos de carne de aves e pescado. Há um grande risco calculado, ante o alarmante advento da insidiosa gripe, mas no Brasil nem sequer um estoque regular do remédio mencionado existe.

mockup