Parece que o problema do excesso de pombinhas em Londrina resultou da mudança do modelo agrícola regional do café para soja e trigo que propiciou a maior disponibilidade de alimentos para elas. É o que se conclui da entrevista a este Jornal do professor de Fisiologia do Comportamento, Ronald Ranvaud, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo. Seria necessário mudar técnicas de manejo no campo, evitando deixar grãos na terra após as plantações e colheitas. Algo difícil, que apenas daria algum resultado com a correção de defeitos nas máquinas, bastante desperdiçadoras. Tudo o mais, segundo esse especialista, não irá funcionar. Nem matança, nem uso de anticoncepcionais, nem a remoção das aves para outros locais, nem a lavagem das fezes nas calçadas e ruas. A questão funda-se no alimento. Onde há abundância de comida elas proliferam. Hoje durante toda a manhã, na Câmara Municipal, o poder público e várias entidades ambientais promovem audiência para discutir o caso, mas sem nenhum ponto de partida. As revelações da reportagem publicada ontem na Folha de Londrina aumentaram as dúvidas sobre a solução do problema a curto prazo, porque aparentemente não há solução rápida à vista. Reduzir a alimentação para as pombinhas, de forma a que a população aviária diminua, é um caminho, mas também não há indicativo de como fazer isso. A expansão da produção de grãos, que enriqueceu o Paraná, trouxe também a consequência nada agradável das pombas e pombos e não propriamente eles mas suas fezes, geradoras de doenças. O agrônomo Hugo Souza Dias, executor da destruição de 20 milhões de ovos e filhotes no município paulista de Tarumã, na década passada, declara a este Jornal que a experiência foi um fracasso. Segundo cálculo da Secretaria Municipal do Meio-Ambiente, Londrina tem 200 mil pombos, que vêm para a cidade apenas dormir, porque durante o dia a maior parte fica nas plantações e se alimenta também de algumas ervas daninhas. A trabalhosa solução encontrada naquela cidade paulista foi corrigir falhas nas práticas agrícolas, de forma a não espalhar tantos grãos. Isto terá de ser feito também aqui o que seria também uma medida de melhor aproveitamento da produção mas é um processo demorado e que exige conscientização de parte dos agricultores, estes já envoltos em tantos problemas. Para eles, as pombas não causam tanto estrago, pois não atacam plantações e só se servem dos restos que se perdem na roça. Ronald Ranvaud recomenda que não se saia por aí matando pombas. Tudo o que se fizer, a partir de decisões da reunião de hoje, parece inútil porque já se tentou em muitos lugares a não ser a menor dispersão de grãos nas colheitas. A fórmula mais sábia é esta, pela palavra daqueles dois entendidos. Resta saber como executá-la.

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