Não resultou no que se esperava a reunião promovida pela Justiça para tentar um entendimento que pusesse fim à greve dos servidores públicos municipais de Londrina. O pequeno avanço foi proibir piquetes defronte das unidades de saúde e da usina municipal de asfalto, e espera-se que neste último setor os operários voltem ao trabalho e, pelo menos, a Prefeitura realize a operação tapa-buracos nas ruas da cidade, prejudicadas pela chuva e pela paralisação da manutenção. A greve continua afetando a comunidade, depois de quase dois meses e meio do ''dolce far niente'' do funcionalismo. Uma nova batalha anuncia-se agora, em outra frente: a do Ministério Público contra a Justiça, porque possivelmente haverá recurso junto ao Tribunal contra a medida judicial que postergou a decisão do MP de fixar em 24 horas, na semana passada, o prazo para retorno dos grevistas ao trabalho. O prefeito Nedson Micheleti - que não compareceu à reunião de segunda-feira promovida no Fórum por decisão do juiz Marcelo Mazzali - insiste nos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal como impedidores do aumento salarial solicitado, e por estas e outras o folguedo dos grevistas continua. Pelo menos o atendimento no setor de saúde não cessou por completo, e este foi o ponto mais preocupante desde o início da greve. Mas setores de atendimento aos que necessitam de documentos, estão parados. É indiscutível o prejuízo que isto está causando a Londrina. Pensava-se que a intervenção da Justiça iria mudar o perfil do movimento grevista, com aceno para um ponto final na greve, mas isto não aconteceu. A opinião pública não tem se manifestado publicamente a favor dos grevistas, e a mudez caracteriza desaprovação. O murmúrio do povo é de indignação e clama aos servidores que comecem voluntariamente a voltar às suas tarefas, independente da intransigência do sindicato da categoria. Porque, depois que a Justiça determinou que os dias parados sejam pagos, eles estão ganhando, e isto toca na sensibilidade da população, que no final das contas é a empregadora. A volta ao trabalho é o caminho mais sensato, sem prejuízo de a luta por melhoria salarial continuar. Como todas as greves, há segmentos, no âmbito dos grevistas, que desejam o fim da paralisação mas enfrentam a barreira do patrulhamento ideológico dos companheiros e a pressão da militância sindical. É a vigorosa ideologia de esquerda pontificando, com respaldo também em esferas mais altas dos poderes, afinal compostas de iguais servidores públicos. De qualquer modo, está determinado pela Justiça o agendamento de um cronograma de novas reuniões, com vistas a entendimentos entre as partes para o fim da greve. Se tal não acontecer, a indicação sensata aponta para a deserção espontânea de cada grevista ou para a anterior deliberação do Ministério Público de fixar prazo para os grevistas retornarem às suas obrigações.

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