POTÊNCIA OLÍMPICA? É preciso desenvolver o esporte na escola
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sábado, 11 de agosto de 2012
Davi Baldussi <br> Reportagem Local 
''No Ministério da Educação, o esporte nunca mais entrou em pauta. É lamentável.'' A crítica vem de quem entende de assunto. Velejador multicampeão com duas medalhas de bronze nas Olimpíadas de Seul (1988) e Atlanta (1996), Lars Grael também foi secretário nacional de Esportes no governo Fernando Henrique Cardoso (FHC). Para ele, falta para o País uma política integrada entre esporte e educação para que os atletas nacionais se destaquem em competições como a Olimpíada.
''Deveria haver uma quadra poliesportiva em cada escola, com três horários por semana de Educação Física. Não como lazer ou protocolo, mas visando à prática de esportes no desenvolvimento de base do atleta. O Brasil, com toda dificuldade que enfrenta, ainda produz grandes atletas'', destaca.
Conforme Grael, os benefícios proporcionados pela prática esportiva, no entanto, vão muito além das medalhas. ''Investir na formação de um atleta gera, antes de tudo, bons cidadãos. O esporte desenvolve o senso de responsabilidade, respeito ao próximo e (ensina) também a lidar com as adversidades que virão pela frente. As medalhas são consequências do trabalho levado a sério'', afirma ele, que continua velejando na classe Star, na qual ganhou em junho uma etapa do nacional.
Como o senhor avalia o apoio a esportistas no País atualmente? E o programa Bolsa Atleta?
O Bolsa Atleta é um investimento indispensável, porque nem todo mundo consegue obter patrocinadores. O meu irmão Torben, por exemplo, dono de cinco medalhas olímpicas, deixou de fazer campanha para Londres por falta de patrocínio. O Bolsa Atleta não se trata de formar uma burguesia desportiva, mas promover a sobrevivência desses atletas e dar garantias para que possam se dedicar ao esporte, pagar uma universidade e sustentar a família.
Como o senhor avalia o valor da Bolsa Atleta, máximo de R$ 3,1 mil, para atletas de nível olímpico e paralímpico (atletas da categoria internacional e nacional recebem respectivamente R$ 1.850 e R$ 925)? É um valor suficiente?
A renda do Bolsa Atleta é uma boa ajuda. No entanto, para que o atleta se dedique às competições, é necessário ter um patrocínio paralelo. Se pensarmos numa campanha olímpica, por exemplo, o valor do Bolsa Atleta, sozinho, não é suficiente, porque você precisa pagar um treinador, despesas com passagem e hospedagem etc.
O apoio aos atletas tem evoluído nos últimos anos, desde que o País foi escolhido como sede das Olimpíadas em 2016?
Tivemos vários avanços no esporte brasileiro, como a Leis Agnelo/Piva, Bolsa Atleta, Lei de Incentivo do Esporte, Lei de Importação do Material Olímpico e um apoio federal do Ministério do Esporte, em 2003, e uma série de investimentos como forma de desenvolver o esporte no País. No meu ponto de vista, é preciso desenvolver o esporte na escola. Não usar as aulas de educação física em recreação, mas como fonte de investimento para desenvolver o esporte de base para preparar para os Jogos do Rio.
O que precisa melhorar?
Apesar de todos os investimentos, sinto que falta ainda uma política integrada de esporte e educação. Para se ter uma ideia, em 2000, o governo federal resgatou os JEBs (Jogos Escolares Brasileiros) através da Olimpíada Colegial (hoje Olimpíadas Escolares). O Programa Esporte na Escola não prosperou e o Programa Segundo Tempo deixou de ser prioridade. No Ministério da Educação, o esporte nunca mais entrou em pauta. É lamentável.
O País está fazendo uma boa preparação para garantir um bom desempenho no quadro de medalhas em 2016 no Rio de Janeiro?
A preparação está aquém do ideal, mas pelo menos a renovação de atletas existe. Na vela, nomes como Matheus Dellagnelo, Alexandre Tinoco, Patricia Freitas, Jorginho Zariff, Henrique Haddad e Martine Grael, vão mostrar a nova cara da vela brasileira. Nomes que poderão se misturar à experiência de Robert Scheidt e outros grandes expoentes da atual geração.
Qual é o maior desafio para se tornar um atleta de ponta no País hoje?
A grande questão é a dificuldade que o atleta encontra de se dedicar exclusivamente ao esporte. Acredito que este seja o maior desafio: viver do esporte completamente. Para chegar à ponta, é preciso muita dedicação, persistência.
Quais os benefícios gerados pelo investimento na formação de atletas?
Investir na formação de um atleta gera, antes de tudo, bons cidadãos. O esporte desenvolve o senso de responsabilidade, respeito ao próximo e também ensina a lidar com as adversidades que virão pela frente. As medalhas são consequências do trabalho levado a sério.
O que falta para que o Brasil consiga aliar formação atlética e educação?
Deveria haver uma quadra poliesportiva em cada escola, com três horários por semana de Educação Física. Não como lazer ou protocolo, mas visando à prática de esportes no desenvolvimento de base do atleta. O Brasil, com toda dificuldade que enfrenta, produz grandes atletas.


