Postura equivocada
Alguns acontecimentos políticos dos últimos dias geram dúvidas e ironias na população brasileira, sobretudo entre aqueles que acompanham mais de perto as notícias de Brasília. Derrotado nas urnas, o presidente Fernando Henrique Cardoso dá-se agora ao trabalho de ser conselheiro do seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva, ao mesmo tempo em que se acha no direito de postar-se ainda como o gerador de idéias e susgestões sobre o destino do País. Contraditoriamente, peca ao tentar empurrar à equipe de transição uma responsabilidade que é de sua gestão: a decisão sobre a medida provisória que beneficia Minas Gerais e alguns outros estados brasileiros, relacionada ao ressarcimento de gastos com obras federais nestas unidades da federação.
Esta última tentativa rendeu a Fernando Henrique Cardoso, na sexta-feira, uma advertência, em tom de ironia, do ex-presidente e governador de Minas, Itamar Franco. Mordaz, como é de sua característica, Itamar questionou diante de políticos e jornalistas quem é que manda atualmente no País.
Também na sexta-feira, durante discurso de uma hora e quinze minutos que denominou de ''prestação de contas ao Brasil'', Fernando Henrique decidiu novamente voltar à cena não com soluções para o Brasil dos aumentos seguidos do gás de cozinha, combustível, tarifas de energia, água e telefone, além de preços diversos de itens básicos no cotidiano da população. FHC, mais uma vez, posou de conselheiro, advertindo Lula a evitar um governo de negação dos avanços conquistados. Para FHC, o novo governo não deve imaginar que vai inventar a roda. E finalizou: E o pior é, quando a roda já está inventada, fazê-la quadrada''.
Pois não é ao novo governo e à sua equipe de transação que o atual presidente ofende, com afirmação desse tipo. A agressão é disparada no rumo dos milhares de eleitores que elegeram Luiz Inácio Lula da Silva. Estes eleitores negaram, com seus votos, a continuidade do atual governo derrotando no segundo turno das eleições o candidato de FHC, José Serra. E se cabe a Fernando Henrique e sua equipe alguma ação, nesse final de gestão, está límpido e evidente que o que a população exige, no momento, e de um mínimo de acerto e faxina na casa que ele deixa ao sucessor.





