Postura de sensatez mas também de oportunismo



Embora tardiamente, as figuras mais proeminentes do Partido dos Trabalhadores já começam a se manifestar contra a escalada do MST, sobretudo depois da inoportuna invasão das fazendas da família do presidente Fernando Henrique Cardoso e do que aprontaram por acréscimo. Verdade que o PT o faz por oportunismo político, no momento em que o histórico candidato Luiz Inácio Lula da Silva volta à disputa pela Presidência da República.
Não há como dissociar do PT o Movimento dos Sem Terra. Ambos sempre professaram a mesma ideologia e o partido sempre deu sustentação às ações do MST, como as invasões de terras produtivas e tudo o mais. Mesmo que aparentando a moderação de agora, o PT não é apenas os seus líderes mais notáveis e sim, também - e sobretudo - as suas bases, compostas de representantes moderados mas também de radicais.
Certamente que Lula, se guindado ao cargo máximo da República - e as circunstâncias políticas lhe são mais favoráveis desta vez - terá de confrontar-se com o MST se quiser exercer a governabilidade. Custou o PT entender que a população - se é favorável a reformas e à recondução à lavoura dos colonos sem terra - é totalmente avessa à invasão de áreas que estejam em franca produção e a depredações da propriedade alheia, o que se tornou marca do MST. -
E se o PT, pela voz dos seus líderes mais autênticos e confiáveis, agora afirma que o partido não tem vínculo com o MST, terá de sustentar essa posição, mesmo que no poder. E deverá saber que, para implantar uma reforma agrária legítima, não poderá valer-se dos mesmos métodos dos invasores. Terá ademais que adicionar ao seu ideário a conscientização de que é preciso contemplar a agricultura como um todo, carente que sempre foi de uma política consistente de apoio governamental.
Se Lula se preocupa com a função da terra - e tal preocupação é uma visão correta - deve deslocar-se mais amiúde para o meio rural, como presidente da República ou não, ou apenas como parlamentar, para conhecer a realidade do campo e as suas reivindicações, assim como se tornou um especialista nas questões de interesse dos seus co-irmãos metalúrgicos.

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